terça-feira, 20 de outubro de 2009

A verdade e sua metáfora


Por Paulo Brabo(www.baciadasalmas.com)

Em certo país dava-se o nome de metáfora a qualquer recipiente próprio para conter algum líquido. Havia nesse país uma fonte de água cristalina, porém tão amarga que dizia-se bastar um único gole para matar de desgosto um homem adulto; cria-se no entanto que diluída ou em pequenas doses essa água tinha propriedades mágicas ou medicinais, e deu-se a ela o nome de verdade.

Levas de peregrinos acorriam incessantemente à fonte, e partiam para seus lugares de origem levando a verdade em seus vasos metafóricos.

Porém uma rigorosa seita, que cria que a verdade deve ser experenciada sem o auxílio de metáforas, atacava as caravanas de peregrinos. Querendo ensiná-los a obter a verdade em estado puro, os sectários destruíam a pauladas as metáforas que a continham. Quebrados os recipientes, a verdade se derramava e desaparecia no solo, ficando sem ela peregrinos e sectários.

Certa vez um rapaz voltava da fonte levando a verdade em sua metáfora quando viu de longe a aproximação dos sectários. Não querendo ver derramada a verdade que trazia consigo, o rapaz não hesitou e bebeu em goles resolutos toda a água da vasilha.

– Onde está a verdade que você trazia nessa metáfora? – perguntaram os perseguidores.

– Eu bebi – desafiou o rapaz. – Agora a verdade está dentro de mim.

E os sectários mataram-no a pauladas.

Em compensação, começou a correr a notícia de que a verdade, embora amarga, não era mortal, e que o recipiente próprio para conter a verdade era um ser humano. Com o passar do tempo os próprios homens passaram a ser chamados de metáforas, e conta-se que nunca estiveram mais perto da verdade.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Feliz


Feliz.
Felicidade que em si se basta.
Feliz.
Felicidade ao mesmo tempo rara e vasta.

Feliz.
Felicidade, mesmo errante conforta.
Feliz.
Por saber que hoje estou, e hoje importa.

Feliz.
Sabendo que é como segurar areia.
Feliz.
Sabendo que tem a praia inteira.

Feliz.
Conhecendo minhas limitações.
Feliz.
Não sabendo de todo Suas intenções.

Feliz.
Confiando e velejando na Sua maré.
Feliz.
Por uma vida de fé.

Feliz.

Evandro L! Melo

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Denis Campos: De todos os ângulos

Amigos é com muita felicidade que anuncio aqui o lançamento do CD "De todos os ângulos" do Denis Campos.

Cd que vem repleto de boas músicas, excelentes letras, tudo muito bem feito e feito com muito carinho.

Tomei a liberdade e fiz um vídeo para divulgar uma das músicas que gosto muito. Aos poucos vou colocando mais por aqui.

Segue também o endereço para o blog, myspace e orkut dele.

http://denisscampos.blogspot.com/
http://www.myspace.com/denisscampos
http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=3778232357430642073
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=94437981&refresh=1



Apreciem sem nenhuma moderação.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Desabafo

Ando sem inspiração para escrever, para me dedicar ao que gosto de fazer.

Culpo o tempo, ou melhor, a falta dele.

Não durmo até tarde, trabalho o dia todo e não chego cedo em casa.

Chego cansado, normalmente cansado e motivado apenas a curtir o sofá e a beleza da TV a cabo.

Já iniciei alguns hobbies, em momentos de empolgação me dedico, mas a febre passa e volto ao sofá com TV.

Ainda não sei tocar violão, não leio tantos livros como gostaria e não passei de poucas anotações para meu livro, que nem posso dizer estar escrevendo, pois não estou. O livro que estou pensando em um dia escrever, se a história não me for tomada pelo tempo.

Trabalho motivado, feliz, gosto do que faço, mas faço demais.

Me dou muito à empresa ma não recebo na mesma medida, e não é só grana o que me move, vai muito além.

Levo a vida muito a sério e não acho que ela mereça. Invejo o jardim do meu vizinho, mas ignoro as ervas daninhas que lá existem também.

Sinto saudade em forma de nostalgia, me lembro da minha infância, eu criança e meu pai adulto. Anos 80 não pareciam ser assim tão chato. Talvez seja o puro olhar infantil, talvez meus sobrinhos também pensem viver num mundo maravilhoso.

Fico feliz por eles, me deprimo por eles.

Não entendo e perco tempo tentando, este mundo maluco onde a tecnologia nos escraviza a cada dia mais.

Somos encontrados por celular, internet, googles e twitters nos vigiam, e somos nós os próprios informantes de nós mesmos.

Fico puto com a igreja e a falta de sensibilidade com que tratam as fraquezas humanas. Fraquezas essas criadas em conjunto com a própia igreja.

Culpo a igreja, pois de lá deveria nascer diferença.

Fico frustado por encontrar pessoas sensacionais capazes de mudar o mundo, mas não o fazem. Quem roubou nossa coragem?

Acho 'incrível' a criatividade de tranformar o fútil em notícia, em celebridade.

Me sinto estúpido por estar escrevendo isto, sendo que contribuo para toda essa porcaria.


Evandro L. Melo

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Insaciáveis: gente-com-problema e gente-problema

"João Batista …tem demônio ; O Filho do homem …é um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores."

Lucas 7.33,34

Insaciáveis, chatos, malas-sem-alça, cabeças-dura, carne-de-pescoço, cri-cri, meninos mimados, crianças bajuladas, melindrosos, ranhetas, cheios de não-me-toque, nhen-nhem-nhem, coisinhas. Isso mesmo: insaciáveis. Uma teologia/espiritualidade do tipo A ( João Batista ) não nos agrada: “Vixe, crente, santo demais, tradiconalissimo, ora-ora, reza-reza, coisa de beato de santarrão – onde já se viu, oração e jejum Que graça tem isso ! ” O mesmo com a do tipo B ( Jesus ): ” Isso não é ser crente, pode tudo, nenhuma ‘ diferença do mundo ‘, sem testemunho, sem santidade. Se isso é ser crente … ” .

Sabe de uma coisa? De vez em quando , se eu fosse Deus , eu perderia a paciência comigo mesmo e com um monte de gente ‘crente ‘, gente ‘ boa na pior acepção do termo “, como dizia Mark Twain. Ainda bem que não sou Deus. Graças a Deus que não sou Deus. Deus é bem mais paciente do que todos nós juntos. É por isso que ele é Deus. Umas das coisas mais difíceis para um pastor não é lidar com gente-com-problemas: isso é bom e traz gratificação, não obstante a dor envovida no serviço, a dor da identificação ( ainda bem que, como ensinou Henri Nouwen , ” Nada que é humano me é estranho ‘. ) . A dureza é lidar com gente-problema. Os publicanos e pecadores ( leia-se: prostitutas e os caras do copo de do bar – o moralismo religioso não muda mesmo ) são gente-com-problema. Os fariseus eram ( são ) gente-problema. Ah, esses insáciáveis religiosos, quem pode com eles? Eles são os responsáveis por essa Igreja-supermercado da TV: há oferta onde há procura. Misericórdia !

ORAÇÃO: Jesus de Nazaré, meu Mestre, Senhor, Salvador, que eu seja parte dessa gente-com-problema, gente fraca, ciente da sua precariedade, suas faltas, seu pecado, sua humanidade. Que eu não seja – nem pra mim , nem pra ninguém , essa gente-problema, que reclama o tempo todo do Senhor e de todo o resto, que é melhor do que todos, que sabe mais, que é mais crente, mais santo… Deus , que eu me enxergue : se eu cair nessa armadilha da religião da retribuição ( ” Sou bom, logo Deus me abençoa, me faz próspero etc ” ), arrebenta o laço e me ponha de novo na estrada da Graça ( Sou mal, logo , o que vier é lucro, é ferramenta de transformação, é pura misericórdia do Senhor ! ). A propósito Senhor, eu sou pior do que esse que eu condeno… Oh, Deus, meu Pai ! Amém .


Texto de Gerson Borges

http://nordestinamente.wordpress.com/

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Não Vou Me Adaptar

A letra dessa música tem muita a ver com o que vivemos. Essa correria frenética, inversão de valores etc.




Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia...

Será que eu falei o que ninguém dizia?
Será que eu escutei o que ninguém ouvia?
Eu não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar, não!
Não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar!

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho...

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar,
Não vou!
Me adaptar!

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais a casa de alegria
Os anos se passaram enquanto eu dormia
E quem eu queria bem me esquecia...

Eu não tenho mais a cara que eu tinha
No espelho essa cara já não é minha
Mas é que quando eu me toquei achei tão estranho
A minha barba estava deste tamanho...

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou!
Me adaptar
Não vou!
Me adaptar
Eu não vou!
Me adaptar, não vou
Eu não vou!
Não vou me adaptar
Não vou!
Me adaptar!

Arnaldo Antunes e Nando Reis

sábado, 12 de setembro de 2009

Desabafo

É uma pena que o mundo nos veja como alienados religiosos. É triste eu ter que perder tanto tempo explicando que minha fé nada tem a ver com o que as pessoas assistem ou ouvem por aí e muitas vezes desisto dos argumentos e apenas levo a vida da maneira que acredito ser correta, quem sabe não é o melhor a fazer.

Mas triste mesmo é saber que nós crentes, evangélicos, nós a igreja, contribuímos com tudo isso, com toda essa mediocridade que estamos vivendo.

Se estamos assim a culpa é nossa que pensamos sempre em lotar igrejas, em seguir rituais dominicais, em achar que fé é a poderosa maneira de movermos a mão de Deus.

Tento e me esforço ao máximo para fugir da religiosidade.

Tento ser filosofo como Platão seguindo meu Sócrates, Jesus o Cristo.

PAZ!

Evandro L! Melo