quarta-feira, 18 de junho de 2008

Se Deus é bom, porque existem maldades no mundo?

Amigos, esta mensagem do Ed René me abençoou de uma maneira inexplicável e com certeza poderá te abençoar também.
Consegui achar um resumo da mensagem em texto, segue abaixo, mas a mensagem em áudio é muito mais completa e muito boa.
Recomendo a todos que leiam o texto e ouçam a mensagem, com certeza irá acrescentar muito à sua vida cristã.

Para baixar a mensagem em áudio, clique AQUI.

Fiquem na PAZ


Teodicéia

Ed René Kivitz.

Acho que Epicuro foi quem formulou a questão a respeito da relação
entre a onipotência e a bondade de Deus. A coisa é mais ou menos
assim: se Deus existe, ele é todo poderoso e é bom, pois não fosse
todo-poderoso, não seria Deus, e não fosse bom, não seria digno de
ser Deus. Mas se Deus é todo-poderoso e bom, então como explicar
tanto sofrimento no mundo? Caso Deus seja todo-poderoso, então ele
pode evitar o sofrimento, e se não o faz, é porque não é bom, e
nesse caso, não é digno de ser Deus. Mas caso seja bom e queira
evitar o sofrimento, e não o faz porque não consegue, então ele não
é todo-poderoso, e nesse caso, também não é Deus. Escrevendo
sobre a Tsunami que abalou a Ásia, o Frei Leonardo Boff resume: “Se
Deus é onipotente, pode tudo. Se pode tudo porque não evitou o
maremoto? Se não o evitou, é sinal de que ou não é onipotente ou
não é bom”.
Considerando, portanto, que não é possível que Deus seja ao mesmo
tempo bom e todo-poderoso, a lógica é que Deus é uma
impossibilidade filosófica, ou se preferir, a idéia de Deus não faz
sentido, e o melhor que temos a fazer é admitir que Deus não existe.
Parece que estamos diante de um dilema insolúvel. Mas Einstein nos
deu uma dica preciosa. Disse que quando chegamos a um “problema
insolúvel”, devemos mudar o paradigma de pensamento que o criou.
O paradigma de pensamento que considera o binômio
“onipotência/bondade” como ponto de partida para pensar o caráter
de Deus nos deixa em apuros. Existiria, entretanto, outro paradigma
de pensamento? Será que as palavras “onipotência” e “bondade” são
as que melhor resumem o dilema de Deus diante do mal e do
sofrimento do inocente? Há outras palavras que podem ser colocadas
neste quebra-cabeça?
Este problema foi enfrentado por São Paulo, apóstolo, em seu debate
com os filósofos gregos de seu tempo. A mensagem cristã era muito
simples: Deus veio ao mundo e morreu crucificado. Pior do que isso:
Deus foi crucificado num “jogo de empurra” entre judeus e romanos,
isto é, diferentemente dos outros deuses, o Deus cristão foi morto
não por deuses mais poderosos, mas por homens. Sendo Deus,
jamais poderia ser morto por mãos humanas, e sendo o Deus
onipotente, jamais poderia nem mesmo ser morto. Paulo, apóstolo,
estava, portanto, diante de um dilema semelhante ao proposto por
Epicuro: Deus era uma impossibilidade filosófica.
Foi então que os apóstolos surgiram com uma resposta tão genial que
os cristãos acreditamos que foi soprada pelo Espírito Santo: antes de
vir ao mundo ao encontro dos homens, Deus se esvaziou da sua
onipotência[i], isto é, abriu mão do exercício de sua onipotência, e
por amor[ii], deixou-se matar por eles[iii]. (Eu disse que “Deus
abriu mão do exercício de sua onipotência”, bem diferente de “Deus
abriu mão de sua onipotência”).
O apóstolo Paulo admitia que não era possível pensar em Deus sem
considerar o binômio bondade/onipotência. Optou pela palavra amor,
assim como o apóstolo João, que afirmou “Deus é amor”[iv]. Jesus
de Nazaré foi Deus encarnado na forma de Amor, e não Deus
encarnado na forma de Onipotência.
Isso faz todo o sentido. Um Deus que viesse ao encontro das pessoas
em trajes onipotentes chegaria para se impor e reivindicar obediência
irrestrita, impressionando pela sua majestade e força sem iguais.
Jung Mo Sung adverte que “a contrapartida do poder é a obediência,
enquanto a contrapartida do amor é a liberdade”. Também assim
pensou o apóstolo Paulo, ao afirmar que o que constrange as pessoas
a viver para Deus é o amor de Deus (demonstrado na morte de Jesus
na cruz)[v], e nunca o poder de Deus.
Na verdade, “Deus não tinha escolha”. Ao decidir criar o ser humano
à sua imagem e semelhança, deveria criá-lo livre. Desejando um
relacionamento com o ser humano, deveria dar ao ser humano a
liberdade de responder voluntariamente ao seu amor, sob pena de
ser um tirano que arrasta para sua alcova uma donzela contrariada.
Somente o amor resolveria esta equação, pois somente o amor dá
liberdade para que o outro seja livre, inclusive para rejeitar o amor
que se lhe quer dar.
André Comte-Sponville é um ateu confesso (sei que vou levar
pedradas) que discorre a respeito do amor divino como poucos que já
li. Acredita que o amor divino é um ato de diminuição, uma fraqueza,
uma renúncia. Usa os argumentos de Simone Weil: “a criação é da
parte de Deus um ato não de expansão de si, mas de retirada, de
renúncia. Deus e todas as criaturas é menos do que Deus sozinho.
Deus aceitou essa diminuição. Esvaziou de si uma parte do ser.
Esvaziou-se já nesse ato de sua divindade. É por isso que João diz
que o Cordeiro foi degolado já na constituição do mundo. Deus
permitiu que existissem coisas diferentes Dele e valendo
infinitamente menos que Ele. Pelo ato criador negou a si mesmo,
como Cristo nos prescreveu nos negarmos a nós mesmos. Deus
negou-se em nosso favor para nos dar a possibilidade de nos negar
por Ele. As religiões que conceberam essa renúncia, essa distância
voluntária, esse apagamento voluntário de Deus, sua ausência
aparente e sua presença secreta aqui embaixo, essas religiões são a
verdadeira religião, a tradução em diferentes línguas da grande
Revelação. As religiões que representam a divindade como
comandando em toda parte onde tenha o poder de fazê-lo são falsas.
Mesmo que monoteístas, são idólatras” [vi].
Você já imagina onde quero chegar. Isso mesmo, entre a onipotência
e a bondade de Deus existe a liberdade do homem, e o compromisso
de Deus em respeitar esta liberdade. Isso ajuda a entender porque
existe tanto sofrimento no mundo. O mal não procede de Deus e não
é promovido ou determinado por Deus. O mal é conseqüência
inevitável da liberdade humana, que teima em dar as costas para
Deus e tentar fazer o mundo acontecer à sua própria maneira. Diante
do mal e do sofrimento, o Deus com os homens, encarnado em Amor,
também sofre, se compadece, tem suas entranhas movidas de
compaixão[vii].
Mas você poderia perguntar por que razão Deus não acaba com o
mal. Isso é simples: Deus não acaba com o mal porque o mal não
existe, o que existe é o malvado. O mal não é uma entidade ao lado
de Deus. O mal é o resultado de uma ação humana em afastar-se do
Deus, sumo bem. O monoteísmo cristão afirma que há um só Deus, e
que o mal é a privação da presença de Deus. Os cristãos não somos
dualistas que postulamos a existência do bem e do mal. O mal é
apenas a ausência do bem. Por isso, o mal não existe, o que existe é
o malvado, aquele que faz surgir o mal porque se afasta de Deus, o
supremo e único bem.
Ariovaldo Ramos me ensinou assim, e completou dizendo que “para
acabar com o mal, Deus teria que acabar com o malvado”. Mas,
sendo amor, entre acabar com o malvado e redimir o malvado, Deus
escolheu sofrer enquanto redime, para não negar a si mesmo
destruindo o objeto do seu amor. Por esta razão Deus “se diminui”,
esvazia-se de sua onipotência, abre mão de se relacionar em termos
de onipotência-obediência, e se relaciona com a humanidade com
base no amor, fazendo nascer o sol sobre justos e injustos[viii], e
mostrando sua bondade, dando chuva do céu e colheitas no tempo
certo, concedendo sustento com fartura e um coração cheio de
alegria a todos os homens[ix].
É uma pena que Epicuro não tenha lido os apóstolos cristãos, e nem
tenha assistido às aulas de Jung Mo Sung.
____________________
[i] Carta aos Filipenses 2.6-8
[ii] Evangelho de João 3.16
[iii] Atos dos Apóstolos 2.23
[iv] Primeira Carta de João 4.7
[v] 2Coríntios 5.14,15
[vi] Comte-Sponville, André, Pequeno tratado das grandes virtudes,
São Paulo: Martins Fontes, 1995, Capítulo 18: Amor.
[vii] Evangelho de São Mateus 9.36; 14.14
[viii] Evangelho de São Mateus 5.44,45
[ix] Atos dos Apóstolos 14.17
Uma colaboração de ÁLVARO DE AMORIM GARCIA XIMENES.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Cansaço

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu
vos aliviarei" (Mateus 11:28).

O crescimento que surge do cansaço pode nos trazer muitas
experiências espirituais. Nós podemos estar cansados de
esperar; cansados de estudar e aprender; cansados de
combater o inimigo; cansados de crítica e perseguição. Nossa
força tem seus limites ... há momentos que sentimos
desaparecer os pés debaixo de nosso corpo. Quanto mais
demora este tempo de cansaço, mais o sentimos invadindo
nosso interior, sufocando nossa garganta, estrangulando
nossa esperança, nossa motivação, nosso entusiasmo, nosso
otimismo, nosso encorajamento.

Precisamos entender que Deus não nos dispensa força e
coragem como um farmacêutico em sua prescrição. O Senhor não
promete nos dar algo pra tomar que nos ajude a lidar com
nossos momentos de cansaço. Ele nos promete a Ele mesmo.
Isto é tudo. Isto é suficiente. O Salvador diz: "Vinde a
mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos
aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para
as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é
leve".

Muitas vezes nos deixamos abater pelas intempéries da vida.
O desânimo toma conta de nossa determinação, a ousadia cede
espaço para o conformismo, a fé parece um objeto de enfeite
sem utilidade.

Mas não podemos permitir que isso aconteça. Quando as forças
desaparecem e o cansaço das tentativas fracassadas sussurram
em nosso ouvidos para desistir, devemos encher os pulmões
espirituais do ar da graça do Senhor e crer que tudo
passará. O cansaço passará, o desânimo passará, as decepções
desaparecerão. Contamos com Cristo, com Sua presença
poderosa, com Seu amor infinito, Com Suas mãos protetoras,
com Suas promessas de vitória.

Ele está ao nosso lado, amoroso, forte, incansável. Não há
cansaço que resista à Sua presença.

Pr. Paulo Roberto Barbosa

terça-feira, 20 de maio de 2008

Carta de uma missionária.



Bosnia e Herzegovina, Zenica 26 de julho a 27 de outubro de 2007


Não quero pensar de mim mesma, além daquilo que me convém.(Rm12.3)

Mas, falar do meu Senhor Jesus Cristo e de sua boa obra em mim e' inevitavel. A presença do Espirito Santo em nós, e' motivo de constantes mudanças. Do mesmo modo, como o barro esteve na mão do oleiro, assim sinto-me na mão do meu Senhor, como barro... nada mais que o barro...

Usando apenas as maos, pode o artesao dar ao barro a forma que lhe agradar, nao agradando, desfazer de sua obra e a faz de novo. Assim é o Senhor, Ele tem uma meta, um único alvo; restaurar em nòs a semelhança do caráter de seu filho JESUS CRISTO; levar-nos a termos o mesmo sentimento; esvaziando-nos de nós mesmos, para que sua obra(que somos nós) revele o quão boa, agradável e perfeita é a sua vontade. Tomando nos por filhos e incluindo nos em sua familia, uma familia chamada a viver em santidade, refletindo o reino de Deus na terra, assim como é no céus. Se a imagem do vaso nao reflete a semelhança do seu filho, ele o desfaz, e o faz de novo. Temos a sensação de que fomos moidos, e nos sentimos humilhados. No entanto, o barro torna-se mais macio e maleável, podendo ser melhor manipulado. Este processo tem grande semelhança conosco, o homem que se sujeita deixando-se humilhar é aproveitável no reino de Deus.

Glórias e glórias sejam dadas ao nosso majestoso Deus que não desiste de sua obra. Se o artesão conhece a qualidade do barro e como trabalhar; muito mais o nosso Senhor conhece a natureza humana e seu coração, podendo restaurar-nos à semelhança do seu filho por meio de sua virtude e sabedoria. Em suas mãos temos uma outra chance; o homem que teme a Deus conforma-se com os Seus meios, entrega-se, não resiste.

José do Egito compreendeu bem as situações permitidas por Deus em sua vida. Ainda menino, imaturo para a obra, pelo qual havia sido chamado, suportou e perseverou ... até o dia em que lhe foi revelado o propósito Daquele que o havia chamado.
Os pensamentos de Deus são mais altos que os nossos, e sua visáo ampliada leva-nos a caminhos jamais experimentados. Que obra! Que privilegio! Estar nas mãos de um Homem que pode transformar-nos.

Quando penso em missões, penso em homens que não pouparam privilegios e entregaram-se a Deus e aos desafios. São caminhos áridos e ao mesmo tempo mananciais. Há tribulacões, no entanto, o gozo do senhor é onipresente.
Aparentemente é uma terra egocêntrica, onde nem sempre os que semeiam e plantam serão os que colhem. Mas, que mérito há se não entendermos que só um dá o crescimento, Jesus Cristo, e que está gloria é exclusivamente Dele?

Há um versículo que bate junto as batidas do meu coração: MARTA, MARTA, ESTÁS ANSIOSA E AFATIGADA COM MUITAS COISAS, MAS UMA SÓ É NECESSÁRIA.(Luc.10:41) Entendo que a comunhão com o Pai é a base de tudo. Uma comunhão de unidade; eu, JESUS E O PAI, primeiramente precisamos ser um; para depois levar o mundo a crer através de nós que seu filho foi enviado, sendo as nossas obras as mesmas de nosso Pai. Realizar a vontade Daquele que nos envia é de fato, a comida pela qual temos fome.

Missões, vai além do que posso imaginar; não fazemos idéia do que Deus é capaz... mas, como está escrito: nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.(1co.2:9) Tudo que aprendi nestes meses, é que o nosso Deus é o mesmo da eternidade, apresenta-se apaixonado como dantes, aguardando o arrependimento da amada Jerusalém. Seus olhos, ainda consumidos pelas lágrimas derrama-se a favor do quebrantamento da filha do seu povo. Que testemunho te trarei? A quem te compararei, ó filha de Jerusalém?(Lam.2:11,13)

Minha vida nao faz sentido em si mesma, ando insaciável por conhecer mais e mais Aquele que é o que é ,e que nao tem limite nem fim. Permanecer apaixonada é um desafio, tanto quanto ,não deixar a minha mente ser corrompida e apartar-me da simplicidade e pureza devidas a Cristo. Só há um caminho, uma verdade , uma vida.... capaz de saciar-nos, a pessoa de JESUS CRISTO,seus planos, seus sonhos.

Ouvi uma expressao que eu ja vivi,*os que ficam estão envolvidos com seu dia a dia e facilmente se esquecem dos que foram. Quero te
pedir para que esta expressao nao faça parte de sua realidade, os que foram precisam, necessitam muito dos que ficam como retarguarda, lembrando de nós em suas orações, fortalecendo nossos sentimentos e corações, muitas vezes abalados por todo tipo de pressão,mantendo o elo da amizade e companherismo mesmo que a distância dificulte a proximidade.

É meu prazer levar a vocês um pouco de mim. Que minha vida em Jesus Cristo possa de alguma forma edificá-las. Porque se tenho do que gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza.

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espirito Santo sejam com todas vocês.

Lindabel Viana

segunda-feira, 12 de maio de 2008

O Sonho

O Sonho
Sonhei que eu tinha morrido
Não lembro direito de quê
Me vi frente a um alto e belo portão
Com uma placa escrito: Céu

Bati com um certo receio
Um anjo saiu pra atender
Me disse: “ Pois não ? “ – eu falei; quero entrar
Pois aí é o meu lugar

O anjo me disse: “curioso,
Eu não acho o seu nome em nossos registros”
Eu disse: procure num livro antigo
Escrito antes que houvesse mundo
E ali achará com a letra do Rei
Meu nome com tinta vermelha

Alguém entregou para o anjo
Registros que eu reconheci
Compêndio de todas as leis que eu quebrei
E os pecados que cometi

O anjo olhava os registros
Visivelmente assustado
E me perguntou: “ Foi assim que viveu? “
E eu então respondi que sim

“ Então como é que você tem coragem
De vir nessa Porta bater? “
Eu disse: olhe bem no final dessa lista
Você reconhece esta letra?
E o anjo sorrindo me disse:
“ É verdade!!! O Rei escreveu: Perdoado! “

E ao som dessa bela palavra
Aquele portão se abriu
Então eu entrava cantando um hino
Que pena que o sonho acabou
Ficaram comigo aquelas palavras:
“ Primeiro eu quero ver meu Salvador” .

Fim de tarde no portão.




Fim de Tarde No Portão

Stênio Március

Composição: Stênio Március

Fim de tarde no portão
A cabeça branca ao relento
Teimosia de paixão
Faz das cinzas renascer alento

Na estrada o seu olhar
Procurando um vulto conhecido
Espera um dia abraçar
Quem diziam já estar perdido

O seu amor é tão forte
Mais que o inferno e a morte
São torrentes que arrebentam o chão
Mais fácil secar os mares
Apagar a estrela antares
Que arrancar o amor de seu coração
Fim de tarde se debruça no portão

Mas um dia aconteceu
E o moço retornou mendigo
O pai depressa correu
E abraçou o filho tão querido

Tragam roupas e o anel
Calçem logo os seus pés, milagre!
Vinho do melhor tonel
Tanta alegria em mim não cabe

O seu amor é tão forte.....
Fim de tarde está deserto o portão

terça-feira, 22 de abril de 2008

Tragédia, milagre e fé.

Por muitas vezes me surgiu a dúvida, -afinal, o que é fé?! -Porque os Cristãos sofrem? Falta-nos fé?
E aos poucos vou entendento, pelo amor de Cristo por mim, que fé não é reger os braços de Deus, mas sim confiar que o que quer que Ele tenha para nós, é o melhor.

E que obstáculos, tristezas, momentos difíceis, são necessários à construção do nosso caráter Cristão.

Como aconteceu na história do "Pequeno Principe", quando ele conversando com sua Rosa de estimação, procurando protegê-la dos males, ela o surpreende e diz:

-"...É preciso que eu suporte 2 ou 3 lagartas, se quiser ver as borboletas..."

Abaixo, segue um belo texto que ilustra um pouco dessa questão.

PAZ!



___________________________________________________________
Tragédia, milagre e fé.

Ricardo Gondim.

Minha vida se organizou também com tragédias. O primeiro grande drama aconteceu na breve existência de minha irmã caçula, que viveu apenas dois dias. Ela se chamava Gelsa, em homenagem a uma tia muito querida; era gêmea do Sergio, que sobreviveu. Recordo nitidamente o desespero que nos sobreveio naquela época. Era véspera do Natal e o papai estava preso; morríamos de medo da polícia política dos ditadores e convivíamos com vergonha social - a vizinhança parava na frente da casa do “subversivo” - rótulo dado aos delinqüentes ideológicos, que mereciam tortura.

Gelsa nasceu sem intestino e com uma hérnia umbilical estrangulada. Veio ao mundo, portanto, já condenada a morrer de fome. Em 48 horas, como os médicos prenunciaram, minha irmã se desidratou; sem conseguir digerir o leite materno, sucumbiu à inanição. Eu a segurei nos braços por apenas 30 segundos. Quando mirei seus olhos fechados, chorei lágrimas pré-adolescentes e provei um sal amargo, que ainda reconheço.

Devolvi a minha irmã para um adulto e saí para fazer a primeira oração consciente que me lembre. Desesperado, clamei a Deus - não recordo as palavras exatas: “Meu Deus, por favor, não deixe a minha irmã morrer; não permita que a mamãe sofra mais; na cadeia o papai não vai agüentar”.

Não fui atendido. Deus não respondeu. Os céus se blindaram à voz de uma criança. Dois dias depois, nossa família aflita chorou ao lado da sepultura.

Desde essa primeira tragédia até hoje, meados dos 50 anos de idade, já testemunhei angústias semelhantes. Nunca esquecerei aquela tarde. Meia hora antes de pregar, fui chamado para orar por uma criança de nove anos de idade que agonizava com leucemia. Logo que entrei no jardim da casa, seu pai me abraçou. O desespero daquele homem arranhou o meu coração: “Pastor, peça a Deus para tirar o câncer da Beatriz e colocar em mim. Não soporto o sofrimento da minha filha”. Quando me aproximei da menininha, deitada em posição fetal, magérrima e sussurrando uma dor atroz, joguei-me de joelhos ao lado da cama.

Pela segunda vez, clamei desesperado por uma menina. Eu via a irmã que perdera. “Deus, tenha misericórdia desta criança; por meio de teu filho, cura a Beatriz”. Novamente as palavras bateram contra portas de aço. Poucos dias depois, acompanhei a família ao mesmo cemitério onde minha irmã jazia.

Recordo-me de uma família de missionários que inutilmente pediu, jejuou, convocou uma multidão de “intercessores”, para que a filha de 17 anos não morresse – a jovem havia caído de uma motocicleta, bateu a cabeça no asfalto e teve morte cerebral.

Quando vi o Ângelo - ele era líder de jovens de nossa igreja - se contorcendo após um acidente automobilístico, perguntei ao médico o que as convulsões indicavam. Com lágrimas nos olhos por ver um rapaz de 19 naquele estado, respondeu-me: “Ele está ‘des-cerebrando’”. Ajoelhei-me na UTI do Hospital São Paulo como se implorasse por meu filho. O Ângelo morreu 10 dias depois.

Paradoxalmente, acredito em milagres. Sei que outras pessoas contam eventos opostos. Respeito-as e não duvido de nenhuma experiência fantástica de livramento, provisão, resgate e cura. Entendo, inclusive, o desatino de procurar invalidar as narrativas de milagre; não me proponho a esta tarefa, que considero perniciosa.

Quero, tão somente, dar esperança aos que, como eu, amargaram o silêncio divino. Multidões não receberam resposta quando imploraram por milagre na hora mais horrorosa: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste”. Procuro ajudar as pessoas a não perderem a fé porque tinham expectativa de cura e acabaram se frustrando. Alguns apelaram desde o abismo da aflição, mas não tiveram resposta nenhuma. Pretendo mostrar que os silêncios divinos não são descaso ou desamparo, mas a condição, o jeito, como Deus soberanamente organizou o mundo.

Considero, inclusive, que nossas inquietações possam ser respondidas na tentação de Jesus no deserto. Trato o episódio como chave de compreensão de como podemos lidar com a vida.

O Espírito levou Cristo até o deserto para ser tentado. Ali o diabo ofereceu três vantagens para que Jesus enfrentasse o desafio de viver: provisão, livramento e prosperidade. Caso aceitasse transformar pedras em pães, todos os famintos do mundo poderiam reivindicar a mesma coisa; se pedisse o socorro dos anjos, todos os acidentes seriam “evitáveis”; ao receber os reinos do mundo por decreto, o livre arbítrio humano ficaria anulado. Jesus rejeitou ter a fome satisfeita por magia; não permitiu que se criassem expectativas falsas de um mundo sem percalços; e rechaçou conquistar os reinos deste mundo pelo poder. Preferiu mostrar em sua própria vida que liberdade era a maior dádiva que Deus nos concedera.

Em minha caminhada como pastor e estudioso da Bíblia constato que as comunidades religiosas interpretam os milagres dentro de “zonas de plausibilidade”, isto é, faz-se do sinal e da maravilha a prova que legitima a pregação. Como os milagres mais complicados de se concretizarem poderiam invalidar a mensagem, os líderes se concentram nos que têm boas chances de “realmente” acontecerem. Assim, evitam-se as doenças "mais complicadas" e perde-se de vista, infelizmente, os que mais sofrem.

Olho para minha trajetória e reconheço: nos momentos mais cruciais da vida, na hora em que mais se precisava de um "enorme" milagre, ele simplesmente não aconteceu.

Sinto que a antiga dor de ver a minha irmã morrer de fome, somada às inúmeras tragédias que já presenciei, me despertaram a repensar o conceito de fé. Desejo advertir as pessoas que organizam a vida esperando possíveis milagres e dizer que terão enormes chances de se frustrarem. Temo que se decepcionem com Deus, com o que se entende por fé e com a vida.

Fé pode sair do estágio infantil como força que “consegue mover o braço de Deus” ou de “abrir as janelas do céu” para ser uma coragem. Fé é uma aposta de que a sabedoria divina, com seus princípios e verdades, basta para que enfrentar os percalços e tragédias da vida.

Assim, convido os que já sofreram para que olhem a vida como uma maratona. Para vencê-la, socorros sobrenaturais não são essenciais. Jesus de Nazaré encarou a história sem pedir a ajuda de anjos. Ele não evitou a cruz e, por isso, triunfou. A mensagem do Evangelho não promete imunidade ou alívio das tribulações, mas bom ânimo; o frágil Carpinteiro venceu na hora mais desolada. Em seu clamor, “Eloí, Eloí, lama sabactani”, encontramos uma certeza: é possível triunfar mesmo sem sermos poupados da morte.

Soli Deo Gloria.

segunda-feira, 31 de março de 2008

De qual salvação estamos falando?

Este texto foi retirado do site do Pr Ricardo Gondim (www.ricardogondim.com.br). Trata-se de uma "conversa" que o Pr. está tendo com outra pessoa, o Diego.
Não sei dizer se essa pessoa (Diego) realmente existe e se esse é o nome dele, ou se é uma criação do Gondim para conseguir passar seus pensamentos.
De qualquer maneira, é um texto muito sério, profundo e que vale a pena ser refletido.

Boa leitura.


Paz!





Mentoria - De qual salvação estamos falando?

Ricardo Gondim.

Querido Diego,

Por favor, desculpe-me pela demora em escrever. Ando sobrecarregado. Mas preciso voltar à sua antiga pergunta sobre a missão do pastor.

Passei por crise semelhante. Por volta dos meus quarenta e poucos anos, perguntei-me o que fazia da vida. Cansei dos esquemas dos evangelistas itinerantes. Eles me entediavam com suas pregações repetitivas. Caíram algumas vendas e vi os interesses escusos dos missionários estrangeiros que tiravam fotografias de eventos brasileiros para fazerem propaganda nos Estados Unidos. Chorei amargamente quando notei que os “caciques” das grandes denominações eram mais grosseiros que os políticos de que eu desdenhava.

Acordei também para os meus pecados sutis. Vi que não só partilhava de um mundo religioso doente, mas o reforçava com uma vaidade sedenta de prestígio. Eu sabia, mas não queria abrir mão, da minha vontade louca de aparecer. Eu queria construir um nome e tornar-me notório pela “unção”, “autoridade”, “loquacidade”. Ah, como eu já quis despontar como um “pastor bem sucedido”! Queria ser igual aos famosos que conhecia, principalmente os estrangeiros, que arrebatavam multidões.

Esses messianismos, essas falsas onipotências, começaram a desmoronar depois de um culto quando uma jovem fez algumas perguntas desconcertantes. Marli (nome fictício) era graduada em filosofia na Universidade de São Paulo e, devido ao seu senso crítico, me confrontou com serenidade.

“Ricardo, cadê a vida abundante prometida por Jesus”?. Pego assim de supetão, eu não soube o que responder. Tentei me safar com outra pergunta. “O que você quer saber?”, na verdade eu só queria ganhar tempo com minha réplica. Ela não cedeu: “Pastor, quero entender. O que Jesus prometeu tem conexão com a realidade da vida? Ou a vida abundante que ele falava era apenas um desejo utópico dos apóstolos?”. Nervoso, insisti em perguntar ainda procurando ganhar tempo: “Como assim?”. “Se Jesus prometeu que seus seguidores experimentariam vida abundante, quero saber por que não vejo acontecer concretamente?”.

Nessa hora tive que dar a mão à palmatória. “Marli, você tem razão a vida abundante prometida por Jesus aparece muito mais nos discursos do que na concretude da vida. Entretanto, o problema não é dele ou dos apóstolos, mas nosso”.

O discurso religioso promete muito mais do que cumpre. Dificilmente constatam-se evangélicos com qualidade de vida melhor do que as pessoas não convertidas. Problemas conjugais, instabilidade emocional, patologias psíquicas, permanecem intocados na grande maioria das igrejas que alardeiam que seus fiéis terão uma “vida abundante”. Enquanto os auditórios se maravilham com discursos triunfalistas que asseguram o melhor casamento, felicidade total no trabalho e paz duradoura, enormes problemas são varridos para debaixo dos tapetes ou justificados como “falta de fé”, “desobediência”; ou resultado de “ataques do diabo”. Por que isso acontece?

Priorizou-se a “salvação” como uma esperança a ser alcançada depois da morte. E as igrejas, cada uma se acreditando mais legítima, se especializam em oferecer o bilhete para a vida eterna - que só vai começar quando o coração parar de bater. Assim, meticulosas em “dar certeza da salvação” aos seus convertidos, não se preocupam em ensinar como viver do lado de cá. Com esse modelo, comumente se vê gente segura de que vai para o céu, mas sem saber lidar com os momentos triviais da existência.

Em minha experiência pastoral, já tive o desprazer de aconselhar mulheres super espirituais, que se gabam do nome estar “escrito no livro da vida”, mas intoleráveis, mal-resolvidas e tristes. Recentemente precisei gastar três horas com um pastor que há anos prometia o céu para quem “levantasse a mão para aceitar Jesus”; só que ele não sabia resolver seus dilemas sexuais. No meio de nossa conversa, abatido ele me confidenciou: “Ricardo, estou vivendo num inferno”.

Sua missão, meu caro Diego, é ajudar às pessoas a tratarem a vida eterna como uma possibilidade para aqui, para a terra. Aliás, a dimensão transcendental da salvação não compete a você; não depende de seus esforços e não acontecerá como resultado de sua confiabilidade ou unção. Salvação, vida eterna, foi conquista da cruz. Ela é obra vicária de Cristo, o mérito será sempre dele. Vida eterna é distribuída indistintamente a todos pela graça; e só o Espírito Santo convence do pecado, da justiça e do juízo.

Concentre-se em mostrar que o reino de Deus é chegado e que está entre nós. Livre das condenações da lei, sem precisar compensar os pecados com penitências e, sem ter que ganhar o favor divino com obras, a humanidade pode dar início ao projeto de humanizar-se. Neste propósito divino, crescemos em maturidade, nos solidarizamos com os carentes, exercitamos misericórdia e sempre defendemos a justiça.

Você precisa desvencilhar-se do antigo modelo de evangelização, que promete uma salvação para depois do último fôlego. Comece a pregar a chegada do Reino, só assim as pessoas se sentirão estimuladas a mudar e essa tarefa é extraordinária.

Mude o mote de suas pregações. Aborde questões práticas sobre matrimônio, polidez, cordialidade, cidadania, vulnerabilidade, altruísmo, compaixão, preocupação ecológica, dignidade da mulher, educação infantil. Acredito que o cristianismo verdadeiro deveria preocupar-se muito mais com o jeito como as pessoas guiam seus automóveis do que em dar-lhes “garantias” de que vão para o céu.

Não, não pense que desconsidero o céu; essa é nossa esperança eterna, nossa maior riqueza. Contudo, eu realmente creio que o destino eterno de cada indivíduo foi garantido pelo sacrifício de Cristo na cruz e que, não precisando mais nos preocupar com esse importantíssimo assunto, podemos nos concentrar nos demais. Alguns são, sim, menos importantes diante da eternidade, mas fazem uma enorme diferença para a felicidade das mulheres, maridos e filhos.

Minha sugestão é que você releia os Evangelhos; procure as mensagens em que Jesus ensinou a ganharmos a vida no presente. Você se lembra daquela passagem de Mateus 16.26? “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?”. Antigamente eu entendia esse texto como uma advertência para que não me tornasse um grande conquistador ou um milionário e acabar no inferno. Hoje eu o leio numa dimensão existencial. Acredito que Jesus advertia seus discípulos para que não tentassem nenhuma conquista, se no processo perdessem a alma existencialmente. Para Jesus não adianta querer ter tudo (inclusive o céu) se nessa busca nos tornarmos amargos, calculistas e torpes.

As religiões, o cristianismo inclusive, já garantiu que muita gente inclemente, perversa e promotora da morte iria para o céu. Infelizmente!

Eu já não peço que as pessoas levantem a mão, concordando com a minha pregação; como também não lhes asseguro que, daquela hora em diante, receberão um selo que lhes garantirá o céu. Hoje convido as pessoas a começarem uma peregrinação. Cientes do amor de Deus, todos podem tomar o caminho proposto por Jesus de Nazaré. Nesta trilha, na companhia do Espírito Santo, todos se tornarão novas criaturas.

Você vai precisar de muita coragem para remodelar seu ministério, mas conte com minha ajuda e intercessão.

Soli Deo Gloria.