sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Marina Silva no Roda Viva 18/02/2013

Sou fã da Marina Silva. Mulher sonhadora, utópica e batalhadora, mas daquelas que desconhece barreiras entre o que é certo (sonhos e utopias) e o que é fácil (ou como preferem dizer, viável)

Como cristão, sou frequentemente perguntado sobre Malafaias, Macedos, Valdomiros e afins e tenho sempre que gastar um tempinho pra explicar que essa corja NÃO me representa. E na explicação costumo usar Marina Silva como exemplo. Vai lá, dá uma olhada na postura dela, na mensagem e na imagem, o que ela pensa e deixa de pensar sobre diversas questões como união civil de homossexuais, célula tronco, criacionismo x evolucionismo, etc. Marina Silva me representa!

Pois bem, aqui está uma ótima entrevista da Marina para o Roda Viva. Vale emprenhar um tempinho.


Demais blocos:



evandro l! melo

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

em memória dos esquecidos


escrever é uma antiga forma moderna de eternizar instantes. é desenhar com palavras e quando bem feito traz consigo (além de letras organizadas) perfumes, sensações, sorrisos… traz consigo o instante, que no instante que ocorreu se foi.

escrever é apalpar memórias e torná-las apalpáveis pra qualquer um.

escrevo para sobreviver, para não me esquecer. o tempo é muita coisa, e dentre tantas é também borracha, que apaga (se deixarmos) os momentos, os instantes. por isso escrevo, em protesto contra o tempo, que não tem tempo de memorizar.

escrever é protestar conta o tempo.

o tempo vive correndo atrás do futuro e, no caminho, vai transformando o presente em passado. é assim que é. mas não me deixo abater, vou atrás de seu rastro e sem que ele perceba (acho que ele sabe sim, e gosta) pego as sobras e remonto em lembraças.

escrever é remontar lembranças.

é renascer sem se estar morto. é retornar ao espírito do passado e reviver a vida que se foi. foi mas não acabou; foi e ainda é. desde que se escreva. e como não sou bobo nem nada (nem sou documentarista) não me fixo nos fatos chateantes. como num álbum de fotos, escolho os melhores instantes para eternizar em palavras. e revivo.

escrever é fotografar com palavras.

é protestar contra o tempo.
é apalpar memórias.
é remontar lembranças e momentos.
é desenhar com palavras.

é tudo isso, e tudo isso é muito pouco para descrever o que escrever é.

***
evandro l! melo
@evandrolmelo

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Tiago e a cura pela conversa


"Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz." Tiago 5:16


Tiago, muito antes de Freud, já sabia que a palavra cura. Ele já defendia a 'cura pela conversa', tão defendido por Freud em seus estudos.

Confessar os pecados uns aos outros, nada mais é (na minha visão) que se abrir uns aos outros. Compartilhar com o amigo não apenas o verniz da superfície, mas o que existe debaixo. Expor suas mazelas, suas fraquezas, suas tristezas. E orar. Isso cura. Isso liberta. Alivia e refrigera a alma. 

A alma é feita para ser compartilhada. Sozinha ela fica aflita, pesada, encharcada com suas próprias dores. Mas quando é dividida... Ahh, ela flutua.

Parafraseando este trecho da carta de Tiago, diria assim: Vamos amigos, compartilhemos a vida uns com os outros. Oremos uns pelos outros. Isso cura. Essa ação e oração tem mais força do que podemos imaginar.

Valeu Tiago.





evandro l! melo
@evandrolmelo

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Domenico de Masi no Roda Viva

Muitos conhecem Domenico de Masi por seu livro mais famoso "O Ócio Criativo", ou pelo menos já ouviu falar. Porém poucos conhecem ou conhecem muito superficialmente todo o pensamento por trás disto.

Domenico de Masi é um sociólogo e escritor italiano que se dedica há 4 décadas a estudar as transformações do mundo principalmente no que tange o trabalho, a economia e a utilização do tempo.

Nesta ótima entrevista ao programa Roda Viva, é possível se aproximar um pouco mais das idéias desse homem criativo que não tem tempo para ser pessimista.



Entrevista inteira:
Bloco 1: http://www.youtube.com/watch?v=mfc67MO9NpI
Bloco 2: http://www.youtube.com/watch?v=MuYBxqJrjhA
Bloco 3: http://www.youtube.com/watch?v=JfAghDMUe74
Bloco 4: http://www.youtube.com/watch?v=R0g-gU7oUyw


evandro l! melo
@evandrolmelo

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

laranjeira




É de Deus
que eu seja barro
argila do chão
nas mãos do artesão

É de Deus
que eu seja pó
poeira no vento
na brevidade do tempo

É de Deus
não me ver sozinho
fez pra mim um ninho
com folhas de laranjeira

e é de mim
Te ver assim
graciosa graça.

evandro l! melo
@evandrolmelo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

envelheço











faz-me companhia o tempo
que outrora passara
em rio, em vento, em pó

faz-me companhia o vento
toma-me pela mão
e minha idade avança

perco a criança
marca-me em linhas gastas
fatiga minhas retinas

de mãos dadas leva-me
o tempo de outros ventos
rumo a luz da escuridão

evandro l! melo
@evandrolmelo

domingo, 13 de janeiro de 2013

o sapo, o cavalo e a capela



É noite, o frio acompanha o vento suave farfalhando as folhas das árvores negras e cumpridas, em movimentos que se repetem.
Lá estou eu, incomodado. Estranho ao lugar mas parecendo já ter estado lá.
A chuva não tarda, logo chega de mansinho, em forma de garôa, e ganha força ao vento, vindo direto em minha direção.
Ando um pouco mais, sem saber o caminho certo, mas sem temer. Apenas um incômodo me acompanha.
Ouço o som de água caindo, se chocando em pedras duras. Logo avisto a cachoeira, uma bela cachoeira de águas espumantes.
O incômodo num ímpeto aumenta e a bexiga dá seu aviso. Preciso me aliviar.
- Não tem ninguém por perto, será aqui mesmo. - penso comigo. E continuo:
- Ei, não pode ser.Estranho. Nunca vim a este lugar e ele não me é estranho. Isso…Isso é um… Será?!Como saber?
Pergunto a um sapo, que sem me dar conta acaba de surgir.
- Ei como saber se isto é um sonho?
- Oras é fácil. - Mal termino de falar e o danado me atira uma pedra. Me acerta a perna. Dói.

Antes que eu chegue à conclusão, a dor me tira daquela floresta.
Me percebo então em um deserto, faz calor e está cercado de areia por todos os lados.
O ar seco me tira o fôlego, me seca a garganta.
- Preciso de água. - É só dizer que o incômodo dá sinal de vida.
Continuo andando e explorando confiante um lugar desconhecido mas ao mesmo tempo natural a mim.
Não demora e a garganta seca novamente. Penso em água. Sinto o incômodo. Droga!
Sigo andando e finalmente encontro algo além do nada. Uma velha casa de madeira, um cavalo amarrado ao chão e uma banheira cheia d'água onde o pangaré se refresca. A bexiga reclama.
- De novo não.
Olho para os lados. Ninguém por perto.
- Ah, vai ser aqui mesmo.
Me preparo e...
- Ei, tem certeza que isso não é um sonho? - Me pergunta o cavalo malhado.
- Como saber? Como saber? - pergunto balançando a perna, impacientemente.
Já devia esperar. Recebo um coice, na outra perna.
- Ai, que dor!

A dor dessa vez me leva de volta pra casa. Me percebo na minha cama. Sim é um sonho. Bons amigos o Sapo e o Cavalo. Me acertaram doído, mas obrigado. Talvez uma coceguinha bastasse, mas obrigado.
Sem perder mais tempo, me levanto e corro ao banheiro. Está diferente, devia ser o sono e a tremenda necessidade de fazer xixi, que aumenta cada vez mais. Não resta mais tempo, mas… Melhor não confiar, aplico um beliscão no braço esquerdo. Forte e giratório.
- Aaaai.
Dói pacas e mesmo com a dor, eu continuo no mesmo cômodo.
- Doeu e continuo aqui. Não é um sonho. - concluo.

Sem pestanejar nem mais um tanto, deixo a bexiga feliz. Olho pra cima curtindo aquele momento bom de deixar a bexiga feliz.
- Mas que estranho, meu banheiro nunca teve o teto da capela Sistina.
- Ah não! Ah não!

Acordo no meu quarto, com três hematomas e todo molhado.

evandro l! melo
@evandrolmelo

ilustração: Uiara Frabetti d'Melo