segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Na noite de Natal eu vi Jesus

"O Rei responderá: 'Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram..." (Mat 25:31-46).

Na noite de Natal eu vi Jesus. É disso que se trata este conto pós Natal. Na noite de Natal eu vi o motivo da festa, Jesus.

Não foi em meio à minha reunião com a família, onde Ele certamente também estava. Também o senti neste jantar, na farta mesa que graças a Ele tivemos, na alegria que emanava em gritos e risos das crianças, nos abraços e na comunhão, também o senti em tudo isso.

Mas foi voltando para casa, passada a virada, a chegada do Natal, que eu vi Jesus. Estava perto de casa, na forma como Ele costuma vir, como a menor das criaturas.
Estava como um mendigo, acampado na rua debaixo, dormindo sob madeiras que improvisavam uma casa. Sorte a Dele que era uma noite de calor, sofria menos assim.

Jesus que há muito tempo veio como uma criança indefesa, nascida pobre num manjedoura sujo, úmido que fedia a bicho, agora dormia no chão duro, desprotegido numa rua suja.

São dias difíceis este que Jesus está passando, talvez pela data, que deveria ser de alegria, mas que há tempos não encontra motivos para comemorá-la, talvez por isso Jesus nesta noite não suportou a dor e se entregou a uma garrafa de cachaça. A cachaça fora sua companheira nesta noite de Natal, sequer um cachorro matusquela o acompanhou.

Pobre Jesus.

Jesus que tem um nome, uma história, uma vida, como qualquer um de nós, agora estava largado, esquecido, apagado.

Pobre Jesus.

Mas o Natal existe, Natal que é nascer, fez nascer em mim compaixão ao passar por Ele e ao menos preparar uma cesta para que Jesus tivesse uma ceia de Natal.

A cesta não era tão farta quanto meu jantar, mas foi o que eu acho que pude fazer de melhor. Um chocotone delicioso que estava guardando para comer qualquer dia desses, uma garrafa (a última) de coca-cola geladinha, alguns salgadinhos e um livrinho para distrair Jesus.
Dei o que eu tinha, não o que me sobrou.

Preparei tudo com carinho e ainda na noite de Natal fui até a casa de Jesus. Não quis incomodar Ele que dormia tranquilamente.
Sem fazer barulho, deixei a cesta ao seu lado, e disse: - Deus o abençoe meu caro.

Voltei para casa pensando em Jesus. Feliz por ter visto Jesus, triste por ter visto Jesus naquela situação.

O Natal deste ano fez sentido pra mim. Algo em mim nasceu.


Evandro L! Melo

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O natal do lado de lá

Um pequeno conto de natal, que procura mostrar o Natal que busco, que entendo, que desejo.

Basta clicar AQUI para ver o singelo livrinho digital que criei. Bem amador, mas com amor e agora com ilustrações do Nuno Junior, um amigo nada vaidoso.

Jesus nasceu, por isso, Feliz Natal.

Mais Natais aqui:
O menino sumiu
Os paradoxos do Natal

Evandro L! Melo


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

21 de Dezembro

Lisavieta acordava todos os dias às 8hs. Não antes, pois dava olheiras, nem depois, que lhe deixava com o rosto inchado. Às 8hs.
Em seu pequeno apartamento, decorado à época, no que hoje chamaríamos vintage, se arrumava para sair. Com espelhos por todos os cantos, não se cansava de se olhar.

O café da manhã era apenas comida integral. Fazia isso para manter a pele macia e os cabelos sedosos.

Grande parte de seu tempo era gasto sentada em sua penteadeira, a qual tinha imenso apreço, frente ao espelho. A penteadeira branca, com as extremidades arredondadas, lembrava os contos de fada. Os pés tinham seu prórpio charme, sustentava, todo o peso com elegância de miss. O espelho, ao qual se olhava sem parar, era composto por uma parte maior ao centro e dois menores dos lados. Tinham os cantos arredondados e a moldura esculpida em madeira, com ornamentos lembrando flores.

Cuidava da pele, depois se maquiava e, por último, penteava os cabelos, negros como seus olhos, lisos e curtos, na altura das maçãs do rosto. Aquilo era mais do que uma rotina, se tornara um ritual.
O guarda-roupa era repleto de belas roupas. Para festas, ocasiões formais, embora ela fosse a pouquíssimas, e para o dia a dia. Curioso é que mesmo para o que ela chamava de dia a dia, eram roupas belíssimas, finas.

Não gostava do inverno, deixava sua pele ressecada, tampouco do verão que deixava oleosa.
Era apaixonada pela primavera, a estação perfeita. Clima ideal para passear nas ruas, todas floridas. O romance estava sempre no ar da primavera.
Até mesmo as estáticas construções, de aço e concreto, pareciam diferentes. Ganhavam um tom animado aos raios de sol. As flores davam um novo colorido ao cinza azulado do concreto. Na primavera, era quando Lisavieta mais saía para seus passeios.

Tinha o rosto animado, um ar de sonhadora, como tinham as adolescentes entregues às primeiras paixões. Seus olhos, como duas jabuticabas, brilhavam perolados.
Seu andar era lento, sem pressa alguma. Seus olhos percorriam todo o ambiente, bservando detalhes invisíveis à maioria.

Um pequeno galho, composto por apenas uma folha e uma flor, se desprende do alto de sua morada e cai numa dança rodopiante, mostrando sua graça.
Um bando de maritacas que se amontoam e falam freneticamente, possivelmente todas comentando o quão boa era a estação.
E o vento parecia apaixonado por Lisavieta. Romântico, se apressava antes dela, chacoalhava os ipês roxos e amarelos e assim formava um colorido tapete para ela passar.
Lisavieta com seu chapéu, pequeno e ajustado, ornamentado com uma flor, ao se encontrar com o vento, segurava o chapéu e reclamava. O vento, por sua vez, sorria.

Caminhando em ruas de paralelepípedos, Lisavieta passara em frente a um charmoso café. Entrou, sentou-se à mesa e pediu um, com pouco açúcar.
Começara a ler seu livro, um romance, quando fora surpreendida com um botão de rosa que aparecera à sua frente. Abaixou o livro e notou que na ponta do cabo da flor, tinha um rapaz. Bem vestido, com terno e colete pretos, gravata vermelha e camisa branca. Tinha a pele morena, traços finos, cabelos bem penteados. Trazia na outra mão, colado ao peito, seu chapéu, como era o costume da época.

O rapaz sorria, seus olhos brilhavam, não escondendo sua pura admiração. Lisavieta ruborizou-se. As maçãs de seu rosto ficaram rosas, quase vermelhas. Seus olhos não conseguiam esconder sua feliz surpresa. Com as mãos levemente trêmulas, aceitou a flor e com um gesto meigo e tímido a levou ao nariz, sentindo seu perfume.
Colocou a flor entre as páginas de seu romance, como um marca-páginas, e agradeceu.
Conversaram brevemente e o cortês rapaz se despediu, com um respeitoso beijo em suas mãos.
"Como eram macias", lembrou ele tempos depois.

Lisavieta terminou seu café e voltou para seu apartamento. Tinha o olhar distante, passava repetidamente o filme daquele momento em sua mente. Apressou-se em colocar sua rosa em um vaso com água e a deixou em sua penteadeira, onde poderia contemplar horas e horas. No resto daquele dia não pensara em outra coisa e naquela noite sonhou que dançava no ar, como uma bailarina encantada.

Na manhã seguinte, logo após sair da cama, foi até a penteadeira. Olhou a flor, que já não era mais a mesma que outrora, levantou os olhos e se deparou com o espelho, que não se preocupava em esconder nada. Um frio percorreu seu corpo indo descansar em seu estômago.

No outro dia, sem coragem de se ver recém saída da cama, preferiu se arrumar primeiro. Depois, sentada em sua penteadeira, frente ao espelho, terminava sua maquiagem quando uma pétala de sua flor se desprendera e caíra. Lágrimas rolaram.
Ao observar a flor, notara que desbotara, assim como seu rosto, agora borrado pelas lágrimas.

Dia após dia observava a beleza se esvaindo.

A flor murchou, secou, morreu.

Sentada em frente à penteadeira, Lisavieta acompanhou o ciclo. Jamais levantara dali novamente.
Murchou, secou e morreu.

A primavera chegara ao fim.



Evandro L! Melo

Este conto também encontra-se incontido no livro inCONTidOS.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vaidade


O vaidoso, estufa o peito e grita aos montes, todo garboso:
- Eco…
Em resposta só escuta:
- Ego, Ego, ego…

Evandro L! Melo

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sobre Pensar

Sobre Pensar é um coletivo de pensadores (pessoas que pensam que pensam) que procuram uma maneira de expressar o que não conhecem bem.
 Um projeto simples onde algumas pessoas darão suas graças a um tema em comum.



Além deste que vos escreve estas mal escritas linhas, o Sobre Pensar conta também com
Nuno Junior, designer/publicitário consagrado, vencedor de 2 Leões de Cannes,
João Guilherme, jornalista aclamado, vencedor de 1 prêmio Pulitzer e cofundador do Wikileaks; e
Denis Campos, músico/poeta dono de uma carreira sólida e reconhecida, tem parcerias importantes com Bono Vox, e busca seu 1o Disco de Platina.

Além da participação de convidados especiais.

Vale a visita, o comentário, sugestão, crítica... até xingar e ofender a honra alheia.

Visite lá: http://sobrepensar.tumblr.com

Evandro L! Melo

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A vida, o vento

A vida é como o vento
A sentimos a todo momento
passando,
sem parar,
sem voltar.

Evandro L! Melo
Ilustração de Uiara F'Melo

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

livre



"Livre é a borboleta, que só vive um dia e o faz voando."

Evandro L! Melo

domingo, 5 de dezembro de 2010

Formiga só trabalha porque não sabe cantar

Disseram-me:
-Vai ter com a formiga, ó preguiçoso.
Eu fui, estendi uma rede e fiquei lá vendo a bichinha trabalhar.

Evandro L! Melo

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Escrivão de mim


disse e repeti aqui que não sou dono de mim mesmo. Ao contrário do que por muito tempo imaginei, meu corpo não é uma máquina pilotada por meu cérebro. Não faço o que eu quero, mas o que a vida tem pra mim.

Poucas são as vezes em que para criar algo, escrever por exemplo, eu tenho o controle da situação, e essas poucas vezes são as vezes que as coisas saem pior.
Eu controlar significa eu pegar a idéia e procurar a melhor rima, a melhor frase, a melhor forma de encaixar isso e aquilo.

O que na maioria das vezes acontece é que tudo me vem de uma vez, as idéias, as palavras, as rimas e as frases vem em mutirão, me inundam o lado esquerdo do cérebro e eu apenas num ímpeto obedeço e corro anotar o que me chegou.

A cabeça pensa, a mão escreve… E eu? que parte tenho nisso?   
Sou um escrivão do meu sub consciente.

Se eu fosse espírita diria que é psicografia, mas não, isso não vem do além, vem do meu sub consciente.

Pode parecer então que eu não tenho parte alguma nesse processo, que apenas espero as palavras terem vontade de se tornarem histórias e viajarem para minha mente.
Porém o universo caótico onde vivem as palavras é a memória, que se não alimentada corretamente não produzirá nada novo.

Preciso me alimentar bem, para que a criatividade surja e eu volte a ser apenas o escrivão de mim mesmo.

Evandro L! Melo

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ensaio: Violência



A maior violência não está nas telas de TV, nas capas dos jornais pelo mundo nem na pauta das conversas de barzinho, escritório, faculdade.

A maior violência é a violência velada, escondida e impreguinada em nós na forma de medo. Medo que não é ensinado na escola, ou em qualquer outro lugar, é o medo adquirido como instinto como osmose.

A maior violência é a que deixa mães aflitas passarem a noite em claro enquanto seus filhos estão tarde da noite aproveitando a juventude.
É o medo de quem fica em casa enquanto seu esposo(a) está ganhando o pão de cada dia.

É o medo que tirou as crianças das ruas. Agora estão todas livres dentro de apartamentos e condomínios cheios de grade.

É justamente a violência que nos obriga a fugir da violência, colocar grades em todas as janelas e ver o céu
listrado. Pessoas comuns instalar câmeras de segurança em suas casas, subir muros, instalar grades eletrificadas, pagar por segurança particular, mudar os planos do programa de final de semana para chegar mais cedo em casa.

É o pavor que gela o corpo quando você vê alguém "mau encarado" na rua, vindo em sua direção.
O receio de não mais ajudar o pobre que pede esmola julgando que pode ser um bandido.
É o medo que deixa alerta os motoristas que ao cair da noite não param em semáforos vermelhos.

A maior violência, a mais brutal violência é cultural, te tira a paz e faz parte do seu cotidiano sem que você
perceba, sutil como um sussurro macabro em seus ouvidos.

Evandro L! Melo

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ensaio: Dúvida

Houve tempos em que despendia tempo em busca da certeza, tempos em que julgava dono de uma verdade única e imutável. Brigava para impor esta verdade e empurrar goela abaixo dos meus rivais, via os de opinião contrária como rivais.

Foram necessárias quase 3 décadas para eu perceber que essa certeza de nada vale e que a dúvida é uma bênção.

Em busca da certeza defendi instituições, líderes, movimentos. Hoje, na companhia da dúvida busco compreender os diversos sentidos da vida, beber de várias fontes e aprender com diversos professores.

Abençoados sejam os que tem dúvida, pois a eles pertencem a alegria do conhecimento.

Conhecimento que chega a cada instante, como a criança que está descobrindo o mundo e entra em êxtase quando vê um cachorro na rua. "Au au, olha o au au."

Busco a verdade, sempre, e não me canso de procurá-la em todas as partes. Luto contra as certezas, esses conceitos ditadores que entram na mente e tentam me dominar. Pensamentos que dão preguiça de mais pensar.

Se Sartre estava mesmo correto, "a dúvida é o preço da pureza", quero uma porção dela como companheira.

Não tente me entender, não me tente a me entender.

Evandro L! Melo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

inCONTidOS




Quando digo que não sou dono de mim mesmo, ao contrário, sou um passageiro desse ônibus chamado Acaso, deste barco chamado Vida, estou sendo verdadeiro, sem exageros algum.

Desde criança gosto de escrever (e ainda não aprendi, veja você), sempre mandei bem nas redações (até mesmo de volta das férias), vaguei por projetos pessoais que iam da inspiração e excitação inicial ao desanimo e esquecimento no dia seguinte.

Começava e desistia de quase tudo. Sou um colecionador de coleções. Já tive várias.
Mas a vida, o acaso, estes não desistiam de mim.

Este blog é prova disso. Há 3 anos e pouco atrás, por começar um trabalho na igreja, resolvi abrir este espaço, que era apenas para divulgação das atividades e agenda.
Uma coisa puxa outra que puxa outra e quando percebi estava voltando a me aventurar na escrita. Inicialmente escrevendo reflexões, depois contos e poesias.

E hoje, 3 anos depois e quase 20mil acessos (o que pra mim é bastante coisa) este blog me deu um livro de presente.
Por escrever aqui pensei porque não num livro? Porque não?!

Hoje, com bastante alegria, fui buscar na gráfica meu 1o (que audácia) livro. Um livrinho, livreto de 28 páginas, de contos que em sua maioria nasceram aqui, neste espaço.

'inCONTidOS' como é chamado meu livro teve a tiragem (imensa) de 200 exemplares que serão presenteados e vendidos a 5 reaizinhos que serão destinados aos projetos de Missão Integral do grupo ao qual me alegro em fazer parte.

Bom, como filhos só no final de 2011 ou 2012, vou ali plantar uma árvore para adiantar as coisas...

Se você se interessar em ter um livrinho, me manda um email que conversamos. ( evandrospfc@gmail.com )



PAZ!

Evandro L! Melo

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Três

Amanheceu, já é de dia
já não quero mais dormir
alegria em mim irradia
me dei conta que tenho você.

É de tarde, mas
nunca é tarde,
para dizer que
amo você.

Escureceu,
até a lua apareceu
e nos viu
de mãos dadas.
Sorriu.

Madrugada,
já não luto contra o sono
quero dormir a teu lado
e sonhar os seus sonhos.
...
...
...
Passa o tempo
lembro quando era um mês
só não passa esse amor
que agora é vezes três

 * 16/11/10 - aniversário de 3 anos de um lindo casamento.

Evandro L! Melo

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A favor da vida

Hoje um negro acusado de assassinato foi executado na cadeira elétrica no Texas.
Um latino foi executado por injeção de veneno em Ohio.
Um outro negro acusado de estupro e assassinato foi morto na Califórnia, cadeira elétrica.
E centenas de outros criminosos, acusados e condenados pela lei de seu país/estado estão no corredor da morte esperando seu dia.

Porque ninguém esta fazendo campanha para a libertação desses seres humanos como estão fazendo pela iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério e participação no assassinato do ex-marido?

Seriam as leis do Irã mais pesadas que as Americanas e outros países? Quem define isso?
A luta é pela vida ou pelos valores hipócritas instaurada em nossa sociedade?

Eu voto pela vida, luto pela vida e sou contra qualquer tipo de assassinato, seja ele 'legal'ou ilegal. Seja ele feito pelo estado em forma de punição ou seja ele feito por qualquer ser que se julgue no direito de tirar a vida de outra pessoa.

Porque não param com essa hipocrisia e demagogia de tratar a Sakineh Ashtiani como uma vítima, uma pobre mulher que buscou seu amor, e simplesmente ignoram as execuções americanas?

E as prisões de guerra, e as guerras?! Porque não recebo nenhum email fazendo campanha contra às guerras?
Porque um americano pode atirar bomba atômica em duas cidades japonesas, matando mais de 140 mil pessoas em cada, e um Iraniano não pode ter programa nuclear?

Voltando ao assunto inicial, porque um país pode decidir quais leis são boas para seu povo e qual lei não serve para o povo de outra nação?!

Existe um senso comum?

Finalizando, sou a favor da vida, de políticas pró ativas que buscam dar oportunidade igual a todos e minimizar os crimes. Sou favor à paz, não importam os motivos da guerra, a paz é ainda mais importante, e sou a favor da transparência e atitude verdadeira, não essas politiqueiras demagogas.

Sou apenas ninguém, com uma opinião.

Evandro L! Melo

Sobre escrever


Já foi dito várias vezes – e, ainda mais vezes, colocado por escrito, – mas escrever é para gente não-resolvida. Quem é verdadeiramente livre e vital não encontra brecha de vida para vaquejar palavras para dentro de uma página.
Todas as artes requerem do oficiante uma dose de auto-obsessão, mas o escritor é dentre todos o mais diretamente absorvido com a sua imagem. O escritor, mesmo quando fala do mundo e dos outros, tagarela apenas de si e para si; ele pode chegar a tornar-se universal, mas apenas na medida em que for fiel à sua obsessão com a auto-elucidação.
Deve ficar claro que não é o fato de ser escritor que o torna obcecado com a sua imagem. O trajeto é oposto: é de fato sua auto-absorção – o ruído ensurdecedor produzido pela sua própria máquina – que o conduz a ser escritor. A precaríssima tese de cada autor é que ele mesmo pode ser, mesmo que por um instante, mais interessante do que o mundo inteiro; é só essa intemperança que o levará a escolher uma vida em que possa tentar impor diariamente a sua supremacia sobre o universo.
E justamente nisso, em que o escritor só sabe se ocupar da sua imagem, é que fica claro o seguinte: escrever é a arte de viver compondo, corrigindo e grifando como gostaríamos de ser lembrados. É desenhar, aprovar e erguer a plataforma de nossa própria justificação.
Enquanto a maior parte de nós contenta-se em viver, o escritor toma as ferramentas da vida como insuficientes para explicar ao mundo quem ele realmente é. O arcabouço do dia a dia – levantar, trabalhar, esquecer, amar – lhe parece vaso insuficiente para saciar a sede da sua autoexpressão. Escritor é o cara que, considerando a vida escassa e acanhada para conter e manifestar a sua singularidade, passa a vida redigindo o seu próprio epitáfio.
É obsessão com a morte no sentido mais negativo e imaturo da coisa. Ou, dito no vocabulário de uma outra mitologia: a letra mata. Essa carga letal não impede, no entanto, que o autor gaste seus dias buscando na palavra um simulacro de vida. É na verdade essa quase-vida, esse paliativo do espírito, que o atrai na palavra escrita.
Já quem pisa o terreno da integridade e da suficiência não precisa, dizem-me, desses subterfúgios.

É portanto muito conveniente e muito elucidativo que a Bíblia tenha sido colocada por escrito, e que o Verbo encarnado – o Verbo encarnado, veja bem – não tenha jamais se inclinado sobre o papel. Em sua condição de texto, a Bíblia denuncia tacitamente a limitação de seus autores, bem como sua rejeição essencial de um mundo não definido pelas palavras e além das palavras contido.
O Filho do Homem, por outro lado, é um cara que existia e que tinha mais o que fazer. Os notáveis escrevem, mas o grandes limitam-se a viver, e nisso são indistinguíveis da gente comum.
* * *
Portanto, embora seja esperado que eu mesmo gaste tanto tempo escrevendo, é também paradoxal, porque só chegarão a me conhecer os que não lerem os meus livros – ou os que solenemente os ignorarem.
Talvez ninguém tenha me descrito e me ensinado melhor do que o atarefado Gabriel, que não deve ter ainda sete anos e decretou debaixo do sol de um verão na Toscana: sei vecchio, ciccio e non sai dire nulla: “você é velho, gorducho e não sabe dizer nada”. E disse isso sem afrouxar o abraço que estava me dando, e sem alterar em nada a consideração com que sempre me tratou.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Incoerente e contraditória

Incoerente e contraditória, duas palavras que descrevem minha vida. Não servem para me descrever, descrever o meu eu, mas a minha vida.
Minha vida é algo muito maior do que meu eu, vai além das minhas manias, desejos, atos e atitudes. Vai além daquilo que penso planejar, daquilo que penso dominar.

Eu não me domino, não domino minha vida, tolo fui às vezes que pensei que o fazia.

Minha vida é uma entidade à parte, que segue seus próprios caminhos, braços dados ao destino, que insiste em nunca se revelar antecipadamente. Em casa esquina dobrada, um outro universo de possibilidades, de escolhas (que faço e que não faço), se mostra e percebo que eu não me conheço por inteiro.

Essa vida, dona de si mesma e de mim mesmo. É dela que sou, a ela pertenço e dela não posso exigir nada.
Ela se revela quando e como deseja.

Meu  eu', esse tento controlar, esse 'eu' é o que decide o curto (curtíssimo) prazo, o que tenta optar pela escolha certa, as escolhas que a vida oferece.
Quando o eu não opta pela escolha certa ou quando sequer tem a chance de optar, a culpa é do destino. O destino quis assim.

A prova da minha contradição, são meus gostos. O que hoje eu gosto, hoje mesmo, mais tarde eu já não quero mais. O sabor de manga que antes me animava hoje me embrulha o estômago.
O cheiro doce da flor que inspirava pensamentos de amor, hoje dão asco e os pensamentos se vão.

O sabiá que teima em pousar na janela e entoar seu canto às 6 da manhã, dias me anima a levantar e espiá-lo pela frestinha, em outros dias faz de mim sair palavras de maldição ao seu irritante canto.

Ao contrário do que pode parecer, essa contradição não me faz de todo mau. É o que torna minha vida uma nova surpresa a cada passo, é o que me esfria a barriga e me percorre a espinha, dando calafrios de um emocionante medo do desconhecido, do novo.

É assim que 'eu' penso, e penso até que a vida assim queira.

Evandro L! Melo

domingo, 26 de setembro de 2010

Feira da paciência


Tenha paciência, paciência
A paciência tá curta
A paciência vale ouro
Olha aí olha aí freguesia, não perca a paciência.

Eram os gritos dos comerciantes da louca feira livre da paciência, onde se prometiam as melhores paciências do mercado. Prometiam de todos os tipos, tamanhos, gostos e embalagens.
O religioso dizia:
- Somente aqui, tenha a santa paciência.

As pessoas se amontoavam à procura da melhor oferta, em busca da paciência que lhes convinha no momento.
- Hoje eu preciso desta.
- Eu daquela.
- Ah hoje eu preciso de muito paciência, quanto tá?

O pensador declamava Shakespeare:
- A Paciência é a Mãe das Virtudes..
O poeta cantava:
- e a loucura finge que isso tudo é normal, eu finjo ter paciência.

A demanda era tanta e a oferta tão pouca que faltava paciência à todos. Disputavam aos berros as últimas doses e não eram raras as situações de conflitos, tudo pela falta de paciência.
No meio do conflito, gritavam:
- Paciência tem limites.

E em meio a todo caos na procura por mais paciência, ela, Paciência, serena, tranquila, passeava em meio a todos, na companhia das amigas inseparáveis, Esperança e Paz, oferecendo-se de graça a quem sensível for de percebê-las. De graça. Graça.


Evandro L! Melo
Ilustração de Felipe Lopes.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Paixão

Paixão


Ela aparece de mansinho
tomando conta dos cantinhos
e então passo a passo
domina todo o espaço.

Evandro L! Melo

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Quem é o palhaço?



Confesso que flertei com a insana vontade de votar no Tiririca. Não como um voto pensando em algo construtivo, em alguém que me representaria e lutaria por causas justas e nobres, mas simplesmente como um voto de protesto.
É tanta porcaria, tanto lixo em cima de lixo que por um instante de puro devaneio perdi as esperanças, que morrem por último, e me convenci que votar num palhaço seria uma boa escolha.
Se for pra fazer comédia que pelo menos seja por um profissional, pensei.

Passei a seguir @Tiririca2222 no twitter, assistia suas propagandas eleitorais, relembrava seus quadros de comédia e ria. De fato tiririca como palhaço é bastante talentoso.
Eis que numa manhã de domingo, enquanto esperava minha esposa, entrei no twitter e lá estava o twitt que me desapontara e fizera mudar meu voto instantaneamente.

O micro texto do candidato @Tiririca2222 trazia em 140 caracteres a informação de que ele gostaria de deixar bem claro que quem iria nos representar no congresso não era o (personagem) Tiririca, mas sim Francisco Everardo Oliveira Silva, o dono do personagem.

Decepção.

Não era Francisco Everardo Oliveira Silva, que eu estava vendo na TV fazendo deboche da política nacional, não era Francisco Everardo Oliveira Silva que eu via ridicularizando quem se leva a sério nesse meio, era o Tiririca.
Não achei justo um personagem ganhar votos para seu criador, um avatar popular vencendo em nome de seu corpo real.
Meu voto seria de protesto e Francisco Everardo Oliveira Silva não irá me ajudar nesse protesto. Parei.

Desde então acordei desse coma induzido pela idiotice e passei a procurar melhor por um candidato, e acho que encontrei, mas não falarei aqui, isso não é um post propaganda eleitoral.

Eis que esta semana recebi meu exemplar de setembro da revista Piauí, revista que tanto aprecio e por isso decidi assinar, e logo na 1a matéria, me deparo com o título "Palhaço municipal".
A matéria fala sobre Jón Gnarr, personagem humorístico de um cidadão da Islândia que decidiu se lançar candidato a deputado para garantir um salário fixo para cuidar de seus assuntos. O negócio deu tão certo que ele logo desistiu deste cargo e se lançou candidato a prefeito da capital Islandesa, o 2o maior posto político do país, atrás apenas do primeiro ministro.

Sua candidatura se tornara um sucesso na internet e ganhara popularidade no país. Os cidadãos islandeses, cansados de tanta sujeira e de políticos sérios terem levado o país à falência, começaram a se identificar com o palhaço.

Diziam que "piadista por piadista, melhor um profissional" e vejam vocês, um palhaço se lançara candidato e vencera as eleições.

Mas as 'coincidências' não param por aí. Sabem o que Jón Gnarr dizia em suas aparições?!
"Quero arranjar um trabalho bem pago pra poder ajudar meus amigos e parentes"
Lembram da frase de Tiririca2222?
"Quero ser eleito para ajudar os necessitados, inclusive minha família."

Jón Gnarr prometeu muito pouco, aliás esse era seu lema, os eleitores não iriam se decepcionar com seu partido pois não prometiam nada e não tinham a intenção de cumprir nada, mas uma das promessas foi de adquirir um urso polar para o Zôo da cidade.

E fechava seu discurso com o grito: "Pior não fica".
Isso te lembra algo?
"Vote Tiririca, pior que tá, não fica".

E pasmem, o governo da capital da Islândia vai bem!

Porque então não votar em Tiririca?! Porque eu já disse, votando em Tiririca2222 você não estará votando em Tiririca, mas sim em Francisco Everardo Oliveira Silva, ao contrário de Jón Gnarr que manteve seu personagem e continua sendo irreverente.
E mais ainda porque Tiririca2222 não foi criado, não é um fenômeno novo, é uma cópia, uma xerox de um caso de sucesso.

Mas ninguém sabia disso, ninguém disse isso. Talvez assim consigam se passar por criativos e corajosos.

Portanto, eu queria um Palhaço profissional no congresso, um qualquer já existem mais de 300 com anel de doutor.

Evandro L! Melo
  

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Política x Igreja

O que me pareceu apenas um email, enviado isoladamente por uma pessoa preocupada, tornou-se uma onda e não parece perder a força, ao contrário, vejo que está em ascensão.
Uma pregação, dentro de um espaço público religioso (templo, igreja, chame como quiser) de um conhecido pastor alertando e pedindo para que os cristãos não votem na Dilma ou em qualquer candidato do PT,  vai parar no youtube e cria toda essa onda.

Eu que a princípio, pensei que fosse algo isolado e por isso respondi unicamente à pessoa que me enviou o email, porém hoje gostaria de tornar meu ponto de vista público, a todos a quem interessar possa. E é claro, deixar aberto para que discordem, opinem. Como deveria ter sido desde o começo da onda. Um fórum, não um sermão!

Para início de tudo, eu NÃO votarei na Dilma e nem em ninguém do PT, por não ver nenhum candidato como uma opção razoável. Mas creio sim que exista gente decente no PT e na política no geral.

Estou contra esse movimento e baseio meus argumentos em:

1. O movimento diz que o PT é favorável à união homossexual e ao aborto. São?! Todos?! O PT como partido recomenda que votem a favor destas causas? Pode ser que sim,mas todos obedecerão?
Mas esse nem é meu ponto. A questão é, e o PSDB e demais partidos? São contrários? Alguém pesquisou isso à fundo? Ou estão sendo anti-partidários apenas? Pedem que não votem no PT, mas e o resto? "Podemos" votar sem preocupação?

2. Colocam o homossexualismo e aborto como principais problemas, mas e a pobreza, a má educação, a corrupção, a péssima saúde pública, etc? Esses problemas são menores?
E o PSDB que governa para a elite (é o que dizem) e despreza a base pobre? Seria esse pecado menor e por isso perdoável? Porque nos preocupamos tanto com questões sexuais e esquecemos do pobre?

3. Chamam Dilma de Satanista. É mesmo? Como sabem?
Acho muito leviano chamar alguém de satanista por chamar. E outra, e FHC, maior ícone do PSDB, que é ateu confesso? E então? E os tantos políticos 'cristãos' corruptos? E então?

4. Sabiam que Marina Silva (que tem meu voto), que é evangélica, defende a união civil entre homossexuais?! Pois é, já a ouvi dizendo isso, sendo bastante clara em seus argumentos. Estado não é Igreja e por isso não esta baseado em sua ética e moral. Mas creio sim que o estado deva se preocupar com os princípios básicos de moral e ética, defendendo o bem geral.

5. Para finalizar, sabiam que fazer qualquer tipo de campanha eleitoral, seja a favor ou contra alguém, dentro de locais públicos destinados a práticas religiosas é CRIME? Pois é, e esses que estão usando do púbito para falar aos fiéis não votar na Dilma estão cometendo CRIME. Isso pode? (veja aqui)

Resumindo, acho que a igreja deva sim se preocupar e se envolver nas políticas públicas, mas que o faça de maneira adequada. Saindo às ruas, protestando, sendo ética, fazendo a diferença, indo na contramão. Não fazendo corrente anti PT.
Porque Gandhi conseguiu acabar com a opressão Britânica em seu país, protestando quase que sozinho, sem violência alguma, apenas se colocando contra, fazendo greve de fome, sendo ético e nós a igreja tão poderosa, dona da verdade não podemos fazer igual ou melhor?

Por favor, minha opinião não é conclusiva e tampouco absoluta. Recebo com alegria opiniões contrárias e sou a favor de fóruns de discussão.

Evandro L! Melo

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Insônia

Insonia, se me fazes companhia
aceito, faço contigo parceria

Sei que não és má
és frágil e assustada, como eu
procuras companhia
não gosta de viver sozinha

Só peço que contigo tragas inspiração
no silêncio que habitas
faças meu ouvido, ora tão desatento
ouvir a poesia do vento

faças minha alma, tão reprimida
ser livre, voar como um beija-flor
que embeleza a vista
quando voando se sacia
e dá sentido à vida

que abras meus olhos
para que vejam o invisível
aquilo que só o coração percebe
aquilo que me é sensível

vais embora quando quiseres
e volte quando desejares
espero sua vinda no silêncio,
e no escuro quando partes,
sonho sonhos que voam, voam pelos ares.

Evandro L! Melo
Com ajudinha da @gmend

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

De manhã bem cedo


 É de manhã bem cedo
quando tudo se faz novo
de novo
Que sua misericórdia se renova
seu amor me alcança
sua graça me encanta
e seu perdão me constrange

é de manhã bem cedo
aos primeiros raios de sol
aquece meu coração
me faz lembrar que minhas esperanças
em ti estão

seu amor me maravilha
sua graça refrigera minh'alma
e seu perdão me alivia

é de manhã bem cedo
com um abraço me acolhe
passa o dia comigo
como um pai amigo
me faz companhia
sei que posso contar contigo.

  De manhã bem cedo by evandrospfc 

Evandro L! Melo

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sapinhos


Essa é a história de dois amigos. Um Coração o outro Cérebro.
Certo dia, quando passeavam, acharam dois sapinhos.
Coração pegou um, deu-lhe um nome e o levou como bichinho de estimação.
Cérebro pegou outro, chamou-lhe de Bufo viridis e levou para estudá-lo.
Cérebro dissecou o sapinho e o conheceu em detalhes.
Cérebro ganhou grande conhecimento, enquanto Coração, um grande amigo.

Evandro L! Melo

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Culpa, sua dívida com a igreja

Um Banco ou uma entidade credora como empresa de cartões de crédito, por exemplo, não querem clientes que pagam em dia.
Eles contam com aqueles que atrasam e pagam juros. Esses clientes sentem-se presos, atados ao Banco, sentem-se até mal consigo mesmos por estarem em dívida, mas não deixam de pagar todos os meses os juros.

A igreja (instituição)é assim, te impõe diversas culpas, ao ponto de te fazer se sentir mal consigo mesmo e mais dependente dela.
Esse tipo de igreja, que se intitula igreja, faz com que você acredite que precisa dela para alcançar algum perdão ou alguma bênção, como se a graça já não nos bastasse.
Esse perdão ou vem através do aceitar sem questionar, da assiduidade aos encontros, da participação nas atividades e da agenda da igreja, agenda essa que em sua maioria coloca os interesses da instituição à frente das pessoas.

Os que conseguem abrir os olhos e enxergar a realidade logo notam essa relação promíscua e quebra as algemas, rompe com essa forma perversa de relação, se livra dos juros, lembrando que nossa dívida já esta quitada na cruz, e procura um grupo, uma comunidade de pessoas livres que buscam servir a Deus juntas. Mas são poucos. A maioria é ignorante e instável e acatam essa servidão cega e podre como algo lógico e racional. Chamam de fé.

A chave para essa algema chama-se GRAÇA e nossa dívida foi quitada na cruz!



* Agradeço a Deus por hoje eu poder participar de um grupo que se respeita como pessoas, que prioriza o lado humano e que busca a Deus sem culpas.

Evandro L! Melo

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A igreja itinerante



Papapararararipa pararararipa papapá

Respeitável público, temos a imensa alegria de levar até você a Comunidade de Jesus.

Papapararararipa pararararipa papapá

A igreja é um circo, ou melhor, poderia ser mais parecida a um circo. A começar pela localidade. O circo não tem lugar fixo, não é estático. Itinerante, vai onde está o publico.
Assim como diz a canção "o artista vai aonde o povo está" deveria ser a igreja, a igreja vai aonde o necessitado está.

Se hoje tem alguém que chora, lá estará a igreja, a comunidade de Jesus para chorar junto, para acolher e amparar o ferido. Se hojé é dia de festa, lá estará a comunidade de Jesus festejando, com música, dança, piada, muita folia.

Tenho em Jesus, a inspiração para este sonho de igreja e vejo Nele a prática disto. Jesus não frequentou sinagogas, casas de concreto, estáticas. Ele até foi algumas vezes, algumas das quais criou confusões, mas o lugar dele, que ele achava ser dele, era junto ao povo, nas ruas, povoados, onde ninguém, nenhum religioso estivera antes.
Ele ia onde estava o necessitado, o povo carente de amor, de cura, de um toque, um olhar, um abraço.
Se compadecia com as mazelas desse povo. Esse era Jesus, um artista de circo, um itinerante.

O grande problema da igreja institucionalizada, fixa, estática, é que tudo o que faz é para chamar o povo a vir até ela. O povo não quer isso ou não está preparado para ir até ela. O alcance de uma igreja estática é limitada e superficial, enquanto o circo itinerante vagueia por diversos lugares, indo ao encontro de seu público, alcançando e se compadecendo seu público.

E se eu já vejo uma mensagem clara de que devemos ser itinerantes observando a vida de Jesus, é em sua próprias palavras que eu me convenço ainda mais disso.

"Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles. Mateus 18:20"

Jesus não diz que ele estará na sinagoga, ou na igreja de paredes, estática. Ele é bastante direto e claro, onde estiverem reunidos 2 ou 3 ele estará ali.

Não acho errado termos um local fixo para nos encontrarmos. Ao contrário, acho muito bom que tenhamos um ponto de encontro, um compromisso, mas desde que isto não ganhe proporções e importância maior do que estar junto ao povo, aos amigos, aos necessitados. O relacionamento é o mais importante.

A partir do momento que se dá demasiada importância ao ritual, seja ele qual for, nos tornamos religiosos e perdemos a essência da mensagem de Cristo, do relacionamento.

Papapararararipa pararararipa papapá

E na igreja circo, tem artistas, tem gente de todo tipo e tem GRAÇA!

Papapararararipa pararararipa papapá


E hoje tem boa música?!
-Tem graças a Deus!

E hoje tem palhaçada?!
-Tem graças a Deus!

E hoje tem poesia?!
-Tem graças a Deus!

E hoje tem contos e histórias?!
-Tem graças a Deus!

E hoje tem alegria?!
-Tem graças a Deus!

E hoje tem companhia?!
-Tem graças a Deus!

Papapararararipa pararararipa papapá

*Hoje agradeço a Deus por ter encontrado um local para me reunir com grandes amigos e juntos buscarmos a Deus, mas que não se dá maior valor do que tem, antes procura ser itinerante, andar junto, se relacionar, se compadecer.


Evandro L! Melo

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Amigo Deus


No dia do amigo, encontrei-me com meu maior amigo na pedra do Arpuador, no Rio de Janeiro.

Ele me acompanhou por todo o caminho, como sempre faz, mas lá pudemos passar um tempo juntos. Ele me fazendo companhia e eu contemplando sua criação.

No silêncio, ouvindo apenas as ondas que se chocam na rocha, num ballet frenético, consigo ouvir melhor esse meu amigo.

Meu olhar se perde em tanta beleza, em vão procuro o melhor ângulo. Não há. Todos são unicamente belos.

Naquela atmosfera deixo vagar os pensamentos, dou a eles liberdade. Eles aproveitam esse momento e passeiam errantes, vão em todas as direções, bem devagar. Tudo bem de-va-gar.

O tempo também parece ter se distraído, não me deu ouvidos quando lhe ordenei que parasse. Passou na sua costumeira pressa, discreto, nem percebi.

O sol se pôs. Triste. Por pura obrigação, precisa se apresentar no outro lado.
Talvez um dia tome a coragem que hoje ensaia e chega para ficar. Tenho certeza que se pudesse ficaria ali para sempre e deixaria tudo mais no escuro.

Nem bem se fora e lá estava ela, a lua. Toda pomposa, vislumbrando os últimos instantes de claridade.
Ela também tarda a partir, fica à espera dos primeiros lampejos do sol para observar mais um pouco, o quanto pode, e por mais uma burocracia divina, vai se apresentar em noites por aí.
Vez ou outra se enche de coragem e fica. São noites sem luar, dizem por lá. Mal sabem o que a lua está a vislumbrar.

Esse tempo foi raro, caro amigo.

Obrigado por ter criado este lugar, este momento, a mim...

Amém.

Evandro L! Melo











segunda-feira, 19 de julho de 2010

Os lados

Esta terra tem dois lados, o de lá e o de cá. Já vou logo avisando, o de lá é muito mais legal.

O lado de lá é belo, incrivelmente belo, como um doce protegido pelo vidro no balcão da doceria, cobiçamos, sentimos o sabor através dos olhos.

O lado de cá não é tão belo assim, não há muito o que se ver, na verdade não há tempo para ver nada além dos ponteiros que giram vagarosamente.

No lado de cá, há suor. Rostos cansados de trabalho exaustivo em troca de trocado. Não há o que reclamar.

No lado de lá, há suor. Rostos e corpos estirados em cadeiras de praia, lutando com o calor com uma gelada água de côco.

O lado de lá é de novela. O lado de cá é o chão da vida.

O lado de lá é sem pressa, é sem hora, é sem tempo, é sem vergonha.
O de cá é passos rápidos pra lugar algum, como se isso acelerace o tempo. É a contagem regressiva para o sofá com novela. A novela da vida do lado de lá.

É sonhar em estar do lado de lá, acordar do lado de cá. O lado de cá pensa no de lá, inveja o de lá, se ilude com o de lá.

O de lá pouco sabe do outro lado. Ignora voluntariamente. O de cá causa nojo.

Curioso que o de lá, pra estar lá, por estar lá, depende do de cá. Talvez por isso o medo lhe é companheiro.

Os lados percorrem o tempo na paralela, poucos são os encontros, raros os cruzamentos embora constantes as perpendiculares.

Evandro L! Melo

* Estou até 4a-feira hospedado em um hotel am Copacabana, na Av. Atlantica, de frente pro mar. Este é o lado de lá.
Na rua de trás, paralelo à Av Atlântica, fica a Av Nossa Senhora de Copacabana, rua de grande movimento, comércio, ônibus, gente... o lado de cá.
Perto da beleza, fica mais fácil observar estes contrastes.


sábado, 17 de julho de 2010

rainha-mãe

O Jogo de Xadrez tem todo seu encanto. Representa um reino, uma vida, a forma que vivemos.
Todos somos peças neste tabuleiro.

Embora toda atenção seja dada do Rei, é dele a proteção de todos, é a Rainha que rouba a cena.
Como não pensar nela, como não falar dela? Ela, a rainha-mãe, mãe-rainha.

Dona de um charme único, poderosa, capaz de ir onde for preciso para proteger os seus.
Não se limita a uma só direção, não se contenta em andar devagar.

Vai para onde for preciso, num instante.

Verdade é que nos tempos antigos, tinha seu valor, como mulher, reduzido. Ciúme, medo dos homens, talvez.
Não fosse isso, tenho certeza de que além de pai, chamariam Deus de mãe.

Mãe que acolhe a criança, que ensina, que ama, que tem em seu abraço a cura. Mãe, o único ser no mundo com o dom de fazer o filho acreditar que "vai passar, vai passar".

Se hoje estou aqui, sobrevivendo, vivendo neste tabuleiro-mundo, é porque você, rainha-mãe, se sacrificou por mim, esteve onde foi preciso.

Mãe, o substantivo do verbo amar.


Evandro L! Melo

* Hoje, 17 de Julho, aniversário da minha mãe, rainha-mãe.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Minh'alma


Porque se aproxima sorrateira?
devagar me toma a calma
sem que ao menos eu perceba
Senhora se torna de minh'alma

Essa alma já é serva
A Paz é sua Senhora
por favor me de licença
devolva à Paz esta alma que chora

Se fizeram um acordo
e minha Senhora lhe permite entrar
assim valorizo ainda mais
os dias que estou em paz

Como parte desta feita
digo que és bem vinda
mas que seja breve a estadia
no outro dia trata de sumir
com esta angústia que me angustia.

Evandro L! Melo

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Nossa arrogância

Não o Brasil não perdeu a Copa 2010 por causa da arrogância do Dunga, não perdeu a Copa por causa da
concentração fechada, não perdeu a Copa por causa da Globo, por causa do frio, por causa de nada disso.

A seleção brasileira perdeu essa Copa por uma simples razão, jogou contra uma excelente seleção, a Holanda.

E o futebol é isso. É tão simples assim, dois times se enfrentam e um sai vencedor, não existe mística,
estatística ou análises que mudem isso.

A seleção holandesa é muito forte desde antes da Copa. Todos já sabiamos disso. Eles tem Robben, um dos
melhores do mundo, em seu melhor momento.

Então qual o problema?

O problema é que nós brasileiros não gostamos de futebol. Nós gostamos é de ser campeões. Não queremos ver futebol bonito nada, queremos é ser campeões e isso nos basta.

Quando se perde, procura-se culpados, cabeças a cortar, dedos apontados para lá e para cá, mas nos
esquecemos de valorizar o adversário.

Isso sim é arrogância, não a do Dunga, a nossa. Não somos capazes de parabenizar o adversário, de
respeitar quem jogou melhor, somos narcisos.

Agora é aguentar a mídia esportiva procurando pêlo em ovo. Esse esporte é tão fantástico que criou uma
indústria, um mundo que gira em torno dele, e não se pode pensar simples, tem que achar análises,
estatísticas, culpados, erros, e por aí vai.

Evandro L! Melo

*Aqui também Oh Raios

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pai

Não é a toa que na bíblia colocam Deus na figura de pai.
Paizinho, Aba pai, pai querido, acolhedor, amoroso, carinhoso, educador, justo...

Pai, o alicerce da família.

Sinto por amigos que não tem em seus pais essa figura doce a qual comparam o Deus eterno.

Eu tenho!

E por isso hoje sou assim, feliz, e se hoje sou é porque antes fora, por mim, pai.

Espero eu, um dia, ser digno se ser comparado, como pai, a você, pai.

Obrigado.

*Este post é dedicado a meu pai, Daniel, que hoje faz 59. Feliz aniversário!

Evandro L! Melo

espelho


sofro,
tanto quanto penso, tanto quanto falo, tanto quanto espero, tanto quanto não faço
sofro,
tudo que eu vejo, nada é segredo, tudo que eu ouço, nada é silêncio, tudo que me toca, é real,
tudo que deixo pra depois, me acomodo
me incomoda,
vida que levo e dela nada levo
choro,
medíocres mãos nos bolsos, nada é comigo,
no espelho, tudo que eu vejo é umbigo.

Evandro L! Melo

terça-feira, 22 de junho de 2010

Camisetas Eclesia

Olha só que legal.

As ilustrações de Uiara F! Melo para alguns textos do Eclesia viraram camisetas. (AQUI)


Veja mais presentes personalizados na Zazzle.


Evandro L! Melo

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mulher de malandro

Dia desses, vi  um vídeo excelente de um sujeito que tem um grande ideal e vive esse ideal na sua radicalidade.
Corri para recomendar a alguns amigos para que assistisse.

Conversando com um amigo, eu disse, "cara você tem que ver, é muito bom, o cara diz muitas verdades... é um soco no estômago", "um soco no estômago".

Engraçado como usamos recorrentemente esse termo quando ouvimos algo que nos choca por sua verdade, dizemos que tal mensagem foi um "tapa", que tal vídeo foi "um soco", que levamos um "chacoalão" , etc.

Foi quando meu amigo me disse, "é, só precisamos tomar cuidado para não virarmos mulher de malandro".

Essas mensagens que mexem com a gente sempre existiram e vira e mexe surge alguma, e sempre dizemos que levamos o tapa, o soco, o chacoalhão, mas e daí?! O que de fato isso nos mudou?

Será que não estamos virando mulher de malandro, apanhando, e não aprendendo? Gostando de apanhar e continuar a viver no caminho inverso?!

Estou lendo o Evangelho de Marcos, lá no capítulo 6, conta-se a história da morte de João Batista.

O texto diz que a mulher de Herodes não gostava de João Batista, pois este dizia que ela não poderia ser esposa de Herodes, pois era esposa de seu irmão. Ela pedia a cabeça de João a muito tempo, porém Herodes gostava de João Batista e não lhe atendia.

"...Herodes temia João e o protegia, sabendo que ele era um homem justo e santo; e quando o ouvia, ficava perplexo Mesmo assim gostava de ouvi-lo. (Marcos 6:20)"

Diz o texto que Herodes gostava de ouvir João Batista, ficava perplexo com sua palavras, mas continuava a ouví-lo.

A palavra de João Batista era dura, era verdadeira, era um soco, um tapa, um chacoalhão em Herodes, mas este gostava.

Gostava, mas e daí?! Herodes era mulher de malandro, apanhava mas não mudava, continuava em seu caminho oposto.

E nós, estamos nos acostumando com as pancadas?!

Evandro L! Melo

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Lamento



Lamento
O que é isso
em forma de gota cristalina
não dura mais do que um momento
dizem não ser nada
apenas mais um lamento

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Evandro L! Melo

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A dor do não encontrar

Escrevi este poeminha há quase um ano atrás, quando passei por um momento triste, mas nunca o publiquei.
Nessa 4a-feira, após o falecimento do pai de um amigo, voltei a pensar nisso e resolvi publicar.

___

A dor do não encontrar

quando chego e procuro, procuro
não consigo te encontrar
dói no peito uma dor
antes desconhecida
e no vazio não existe
remédio para curar

me prendo à esperança
procurando encontrar sinais
me pego olhando a distância
um milagre, o que me diz?
a esperança não tem juízo
não consegue me fazer feliz

me perco em pensamentos
sonhos surreais
que fazem as sombras negras
ganhar cores intensas
mas logo ficam embaçadas
umedecidas por lágrimas
sem cor, com dor, sem graça

espero que isso passe, e passa
mas tristeza é sem hora
e nas lembranças do passado
até mesmo os bons momentos de alegria
só fazem lembrar que não mais existem
fazem da tristeza companhia
e a paz, simples alegoria.

Evandro L! Melo

terça-feira, 25 de maio de 2010

Reflexão para a paz

Ainda sobre o ocorrido na Páscoa, quando alguns jogadores do Santos, cristãos,  não desceram do ônibus para entregar Ovos de páscoa para crianças com paralisia mental em uma instiuição de caridade, ao saberem que a instituição era espírita.
O assunto já é passado, mas o texto do Ed René, que segue abaixo, vai além deste ocorrido. O texto serve para mim e para você, no dia a dia, todos os dias!

Boa leitura.

Evandro L! Melo
_____

Os meninos da Vila pisaram na bola, mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles.
O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica na superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e de cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra a prática do homossexualismo, ou mesmo, se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião.
Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.
Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância.
A religião coloca de um lado os adoradores de Alá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir, enquanto outros, e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio, através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas.
E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproximam os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos, no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus.
Quando você vive no mundo da espiritualidade, que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e a miséria de uma paralisia mental.

Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico e santista, desde pequenininho.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Silêncio



Onde estás?
À tua procura me perco,
em tua busca, não paro,
por tua culpa perdi meu amigo, Sossêgo.

Por qual escuro caminho,
por qual sombria floresta,
por qual deslumbrante natureza,
andas?

Verdade que ao te chamar, espanto,
ao tentar te alcançar, mantenho longe.

Onde estas,
Se não aqui e agora?

Já pedi à amiga Insônia,
um momento contigo,
mas até mesmo ela me abandonou nos braços do Sono.

Onde está você?
Meu amigo, Silêncio.

 __


Evandro L! Melo
@evandrospfc

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Biblioburro




E eu achando que faço alguma coisa... Tenho muito o que aprender.


Evandro L! Melo

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Tempo

















Tempo,
grande amigo
o que fizeram com você
te encurtaram
aceleraram
te usaram
e desprezaram

Tempo
velho amigo
o que fizeram de você
te tornaram escasso
te avaliaram mal
te fizeram valioso
de tão raro

Tempo
caro amigo
caro

Evandro L! Melo

Novo endereço

Olá.

O Blog Eclesia está com novo endereço. O que antes era grupoeclesia, passou a ser blogeclesia!

Continuarei com o mesmo conteúdo, forma, frequencia, etc do outro, apenas mudamos de endereço.

Espero sua visita, SEMPRE!!

Evandro L! Melo

segunda-feira, 3 de maio de 2010

SINERGISMO

cogus

E o leque dos cogumelos
Fez o pau de cerca
Se sentir pierrô.
(J. Tinoco)



sexta-feira, 30 de abril de 2010

Primeiro encontro

primeiro ncontroNosso primeiro encontro foi assim. 

Cheguei lá em sua morada, bela morada, e enquanto caminhava boquiaberto com tanta beleza e tanto entendimento, eu o procurava. 

A procura não demorou muito, logo eu o avistei, ali a alguns metros de distância. Estava brincando com algumas crianças, de costas para mim.
Ele era belo, não belo como estamos acostumamos a definir a beleza, era uma beleza da mais pura. Com suas barbas e cabelos brancos como algodão, olhar manso, pele macia, passava um ar de tranquilidade, nunca visto antes. 

Não contive um sorriso no rosto, meu coração palpitava forte. Queria sair correndo a seu encontro, mas pensei em lhe pegar de surpresa.
Fui de mansinho, na ponta dos pés, para quando chegasse perto, desse um pulo para agarrá-lo num abraço.
Ele sabe de todas as coisas, é oniciente, sabia das minhas intenções de lhe pegar de surpresa, mas também sabia como me agradar, e deixou meu plano correr. 

Quando cheguei perto, me preparei e dei o bote. Em um salto de cinema me joguei em c ima Dele, caímos no chão, enchi Ele de beijos e abraços.
Passado esse momento, Ele se levanta, sério, ajeita sua grande barba de algodão, arruma os cabelos, ajeita suas vestes, e eu ali, com cara de menino assustado, olhos arregalados, respiração ofegante, momento de muita apreenção.

E foi então que Ele, muito maroto, se vira para mim, dá um pulo e me pega, me surpreendendo. Me abraça, me joga no chão e começa a me fazer cócegas.                                                   
-"Achou que me pegaria, né filhão?!" disse enquanto me fazia cócegas.
Ao mesmo tempo que eu queria me desvencilhar das cócegas, queria eternizar aquele momento. Me fez perder o fôlego de tanta risada. 

Depois me deu um abraço aconchegante, abraço que ia muito além de um ato físico, passava compreensão, ternura, amor. 

Fez um cafuné, bagunçando todo meu cabelo, sentou-se comigo no chão e iniciou uma conversa, deliciosa conversa. Sem pressa, sem nenhuma preocupação com o tempo.
Aliás, tempo era algo que não existia ali. 

Esse meu Pai, um brincalhão.
___
Evandro L! Melo
P.S.: Inspirada na história que Bruno ‘Frei’ me contou.

domingo, 25 de abril de 2010

Uma boa companhia

chaplin
Certo dia, há muito tempo, quando tudo era novo, logo de manhã bem cedo, um cãozinho se aproxima e repousa a meu lado.
Eu estava meditante, pensando na imensidão do nada e ele se sentou me fazendo companhia.
Era um cãozinho de rua, feio, encardido, magricela, mas com um rostinho amigável, como tem os cães.
Consigo, além do olhar amigo, apenas uma coleira com uma plaquinha pendurada. Na plaquinha seu nome, Dúvida. O cãozinho tinha um nome e seu nome era Dúvida.
O cãozinho Dúvida não é mal, não é um peso e não tem culpa de existir. Vaga pelo mundo à procura de alguém para se aproximar e mutuamente fazer companhia um ao outro.
Ele não teme desaparecer, de alguma forma sabe que sempre existirá, embora alguns o espante a gritos e vassouradas, ele continua a existir.
Dúvida, esse cãozinho amigo, é uma ótima companhia.
Dúvida tem uma característica peculiar, não consegue viver só, não por muito tempo. Precisa de outras companhias, por costume, vivem em grupos, em comunidade.
Como já expliquei, meu cãozinho era feio e encardido e por muito tempo tentei prendê-lo a mim, por vergonha, escondia Dúvida comigo, não ousava apresentar a ninguém. Coleira apertada e rédeas curtas, era assim que nós vivíamos.
Mas inquieto, ele não me deixava em paz, me incomodava. Era de sua natureza procurar um bando, viver só estava fora de cogitação, o deixava tristonho e por consequência a mim.
Resolvi então sair para passear com ele. Meu cãozinho feio, encardido, que tanta vergonha causava a mim e a tantos por aí.
Nas ruas, um misto de reações. Alguns olhavam mas fingiam nada ver, outros debochavam do meu cãozinho matusquela, probre Dúvida.
Havia ainda alguns tantos que andavam com seus cachorros grandes, fortes, muito bravos, chamados de Medo. Nos botavam para correr, esbravejando palavrões e botando o Medo pra cima de nós. Muitos, muitos mesmo, tentaram matá-lo.
Diziam que meu cãozinho era uma grande ameaça. Vejam vocês, como podem querer matar tal criaturinha?
Eu e Dúvida, só precisavamos de um abrigo, de outras companhias, de local seguro. Mas não era fácil.
Tentamos alguns abrigos, dito acolhedores, grandes casas, bonitas, com muita gente bem vestida que se reuniam semanalmente. Mas não fomos bem vindos. Disseram que aquele não era nosso lugar.
E assim continuamos, eu e Dúvida, à procura de um lar.dúvida
Até que um dia o encontramos, claro não sabíamos ter encontrado, percebemos depois, mas era esse o lugar.
Dúvida abanava o rabinho, feliz da vida, estava em casa.
Encontramos lugar onde descansar, uma comunidade, comunidade de pessoas acompanhadas cada uma com seu cãozinho, também chamamos Dúvida.
Nesse lugar, existia um bom homem, carinhoso, sorridente e brincalhão. Logo que entramos, lá estava Ele, deitado no chão com dezenas de cachorrinhos em cima Dele, brincando. Seu nome, seu nome é Verdade.
Assim que o conheceram, as coleiras se abriram, os cãezinhos Dúvida já não estavam mais presos a seus donos, o homem chamado Verdade os libertou.

Nessa comunidade é assim, nenhum mal é feito, nenhum cãozinho assolado, nenhum Dúvida morre. Ao contrário disso, encontram lugar para eles, lugar seguro e confortável.

Agora já não somos mais escravos um do outro, somos uma boa companhia.

E assim vivemos, em comunidade. Cada um com seu cãozinho, cada cãozinho livre, em seu lugar.

Texto: Evandro L! Melo
Ilustrações: Felipe Lopes
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